O Que é Pietismo?

O Pietismo e sua Influência no Mundo Evangélico

por Ryan M. Reeve (Transcrição da palestra Lutheran Pietism do vídeo do YouTube)

Nesta palestra vamos estudar o Pietismo Luterano, e a principal mudança teológica na vida da igreja, que começou no século 17, e que afetou tantas futuras tradições protestantes.

Quando examinamos o Pietismo, temos que entender que isto é, na verdade, um Elo Perdido para muitos cristões, ao perceberem a mudança dos primórdios do protestantismo, com sua ênfase na justificação pela fé e nos modelos confessionais, para algo que começava a parecer cada vez mais evangélico.

Na verdade, como a maioria das pessoas que chegam a esse período do Pietismo tendem a descobrir, a igreja durante esses movimentos, começou a se parecer cada vez mais com a igreja moderna. Com ênfase no Quietismo emocional, um entendimento pietístico da vida devocional e a experiência da santificação como sendo o objetivo principal da vida cristã.

Agora, alguns pontos precisam ser destacados antes de prosseguirmos, para situar a conversa de forma que as pessoas entendam todas as diferenças que ocorreram e como elas foram recebidas e mudaram as coisas a partir da primeira Reforma Protestante.

Primeiramente, é preciso destacar que, apesar do título desta palestra ser Pietismo Luterano, os luteranos, desde o início do Pietismo até então, tem mais ou menos, rejeitado o Pietismo. Não em princípio, antes de mais nada, mas na forma como ele se desenvolveu e as mudanças que trouxe na ênfase do evangelho luterano. Então, quando falo Pietismo Luterano aqui, não quero dizer que isso é aceito por luteranos. Mas que teve sua origem no período da Reforma Luterana na Alemanha, e as pessoas inicialmente envolvidas eram luteranos. Mas, de novo, tradicionalmente os luteranos sentem que isso foi uma traição da mensagem luterana. E eu penso que à medida que percorremos estes desenvolvimentos, você começará a entender porquê as mudanças são bastantes significativas.

Mudanças no Pietismo

  1. Esgotamento com  brigas dogmáticas entre Protestantes
  2. Desconfiança com a crença nas confissões de fé.

Podemos listar alguns pontos sobre o Pietismo, em geral, e dar-lhe forma e nuances a nível global. Pietistas partem da posição que eles estão tristes e insatisfeitos com onde o Protestantismo chegou, mais ou menos pela metade do século 17. Há vários fatores aqui.

Em primeiro lugar, há um crescente desgaste com as brigas entre Católicos, e internamente, entre diferentes grupos protestantes. Em particular, luteranos e escolásticos calvinistas gastaram muito tempo debatendo entre si nos livros. Se você fosse para um centro de treinamento Luterano, para receber treinamento para ser um pastor, algo como um seminário nos dias de hoje, grande parte da atenção seria, dogmaticamente, para distanciar e expor as diferenças entre a mensagem luterana em tópicos como os sacramentos ou sobre a Lei, contra as posições equivalentes do calvinismo e da fé reformada.

No entanto, cada vez mais no século 17, e isto também se aplica ao Anglicanismo e outros movimentos, sempre surgem pessoas que começam a dizer: “Será que podemos parar de brigar tanto? Definir quem não somos não é o mesmo que definir quem somos”, talvez eles digam. É uma característica um pouco injusta, mas uma das coisas que temos que entender é, que há um cansaço causado pelas brigas. Mesmo se as brigas entre calvinistas e luteranos não tenham se transformado numa guerra sangrenta, ainda assim, a constante disputa de nós contra eles, afastou algumas pessoas durante o século 17.

Então este é o Ponto 1: você começa a ver um movimento se afastando da doutrina, e um movimento a favor do coração, pode-se dizer.

Eles podem tentar fazer tudo pelas obras. Ou de forma mais perniciosa, eles tentam entrar pela fé e permanecer pelas obras.

A outra macrocategoria que ocorre durante o movimento pietista, é que começa a haver uma grande desilusão com a ideia de que somente crer no Evangelho é suficiente para a vida cristã. Até agora já examinamos Lutero extensivamente, e o constante diálogo entre Lutero e o luteranismo atual, com sua crença que nossas tentativas de salvarmos a nós mesmos para afetar nossa própria justificação ou santificação, ou tentativas frustradas. Os cristãos sempre tentaram fazer isto. Eles podem tentar fazer tudo pelas obras. Ou de forma mais perniciosa, eles tentam entrar pela fé e permanecer pelas obras. Lutero, é claro, foi rapidamente contra isto. Ele não queria ver isso sendo ensinado ou crido na vida cristã. Lutero também cria, que não é fácil sempre lembrar a si mesmo da importância do Evangelho. Que Cristo fez a obra. Portanto, nossas obras após a justificação, após a nossa conversão, não devem ser vistas como uma tentativa nossa de fazer Deus feliz, mas devem ser vistas à luz da justificação pela obra de Cristo. Lutero gostava de dizer, assim como o luteranismo confessional subsequente, que a santificação acontece espontaneamente. Não é algo que trabalhamos para ter. É algo que acontece pelo constante ouvir do Evangelho.

“A santificação Acontece Espontaneamente. Não é algo que trabalhamos para ter. É algo que acontece pelo constante ouvir do Evangelho.”

Entre os pietistas, no entanto, há uma reação significativa conta esta posição. Agora, a maioria dessas pessoas são luteranos astutos o bastante para não tentar dizer que você simplesmente faz boas obras para salvar a si mesmo. Ao invés disso, eles vão por um caminho alternativo. Pietistas começam a dizer, que não são apenas obras, por si só, ações por si só, que nos salva, ou que moldam nossa santificação. Ao invés disso, eles começam a se concentrar na vida emocional, e é daí que vem o nome. Pietsmo, na época atual, é algo como a palavra que usamos hoje para emoções. Desejos elevados é o que podemos dizer no século 21. Emoções piedosas, fortes sentimentos sobre o Evangelho, essas coisas. Em outas palavras, o Pietismo contém uma chamada renovada forte desta separação da cabeça e o coração.

O Pietismo contém uma chamada renovada forte desta separação da cabeça e o coração.

Esta separação da cabeça e o coração, que ocorre nas igrejas de tempos em tempo, é uma distinção falsa. Ela não parte naturalmente das Escrituras. Certamente que há uma distinção entre o que sabemos e o que sentimos ou cremos. Mas eu sempre lembro as pessoas. A Bíblia é da mesma forma tão rápida em dizer: Você crê nisto, você se sente emocionalmente atraído para isso? Por que então não entendem? Por que não pensam mais profundamente sobre o Evangelho ou Cristo? Foi o que Paulo quis dizer ao repreender as pessoas por ainda estarem no leite e não passarem para a carne. Ele diz, vocês amam a Cristo, vocês pertencem à fé? Por que vocês não desenvolvem um conhecimento realmente profundo de quem Cristo é, das Escrituras, eu diria?

É claro, a Bíblia fala a respeito de pessoas que conhecem em sua cabeça, mas não em seus corações. Você pode dizer que o testemunho Bíblico tende a ser uma distinção, na qual ambos, nossa cabeça e nosso coração são caídos e preguiçosos, em que acreditamos, às vezes, que sabemos coisas e, portanto, isso equivale a acreditar ou sentir algo, e vise e versa. Que sentir é tudo o que importa e o que sabemos sobre nossos sentimentos irá destruir nossas emoções. Com o tempo, em certas fases da história da igreja, sempre surgiu esta distinção bastante artificial entre cabeça e coração. E a tendência é que diferentes grupos escolhem um lado ou o outro. E eles afirmam que esta única coisa, mais conhecimento ou mais paixão, é a única coisa de que se trata a vida cristã. Ambas, eu afirmo, são distinções falsas. Ambas se baseiam num falso entendimento de quem somos.

Uma ótima analogia para isso é a vida matrimonial. Imagine alguém que acorda na lua de mel e vira para o conjugue, e diz: “Amor, eu estou feliz por estarmos casados e termos esse novo relacionamento maravilhoso. Eu estou me sentindo muito apaixonado agora. Esta é a fase da lua de mel, a fase eufórica. Mas vamos passar o resto das nossas vidas não aprendendo mais nada sobre o outro. Vamos apenas passar as nossas vidas aproveitando a paixão”. Bem, se você fizer isso, o seu casamento não vai ser muito bom.

O oposto também é verdadeiro. “Amor, eu realmente não quero falar sobre as nossas emoções, vamos apenas falar sobre os fatos. Você poderia me enviar um memorando com todas as suas reivindicações e todas as suas ideias? Vamos colocar a vida emocional fora disso”.

Como pode imaginar, um relacionamento sempre deve ser construído, tanto na vida conjugal como na vida cristã, com um sentimento sincero ou uma paixão verdadeira por quem você ama. Neste caso, Deus. Mas, porque você os ama, sempre há este compromisso de aprender mais coisas que eles amam e apreciam, e as coisas que o ajudam a entendê-los melhor. Então, eu sempre digo que a educação teológica, até mesmo estudos aprofundados de vários assuntos, como Patrística, por exemplo, são partes importantes do relacionamento que temos com Deus. A cabeça e o coração estão sempre unidos. Eles não estão separados de acordo com a Bíblia. Ambos estão sujeitos ao erro. Ambos estão sujeitos a se tornarem frios. Então o equilíbrio apropriado, pode-se dizer, é sempre se concentrar em ambos. Foque em um e você perderá os dois. Foque em ambos, ao mesmo tempo, e você terá um relacionamento real.

Bem, no Pietismo, você vê novamente essa distinção. Eles começaram a dizer que a aprovação confessional de certas doutrinas é, na verdade, um conhecimento de cabeça frio. Apenas fatos simples sobre quem é Cristo e o que ele fez. Agora, esta é realmente uma maneira caluniosa de entender o evangelho de Lutero. Lutero sempre falou sobre como nossos corações não são o foco do Evangelho. Ao invés, há uma concordância ou compreensão. Um ouvir realmente conhecedor do Evangelho dizendo: “Eu sou caído. Eu sei disso, mas eu ouço esse Evangelho e eu confio nele”. Então, não é de admirar que muitos dos luteranos dos dias de Lutero começaram a falar sobre a compreensão objetiva do que Cristo fez por nós.

Agora, não vamos dizer que todos depois que Lutero fizeram isso muito bem. Certamente houve conversas secas, áridas e enfadonhas sobre o Evangelho, que pareciam analisar toda sorte de distinções sutis de uma maneira que talvez não fosse tão apaixonada, como o próprio Lutero poderia ter sido. Mas o que o Pietismo faz em reação a isso é que ele começa a ver o problema não como sendo das próprias pessoas, que se tornaram frias por si mesmas, mas sim a própria doutrina que começa a ser problemática. A doutrina não salva, todos sabemos disso. Mas eles começam a dizer que mesmo o processo de descrever as doutrinas da santificação e justificação, as doutrinas da Bíblia, tornam-se o problema. Então o que vemos acontecendo aqui com o Pietismo, é um dos problemas históricos mais comuns quando você vê um movimento distante de outro movimento. Esse é o problema da oscilação do pêndulo. Eu sempre lembro às pessoas que a resposta a um extremo quase nunca é o extremo oposto. Mas, com o Pietismo, você começa a ver esse tipo de balanço do pêndulo.

Você avança em uma direção, e se é verdade a alegação que os Luteranos no século 17 avançaram demais em direção da doutrina abstrata e se afastaram do real lado emocional e existencial que essas doutrinas implicam para a vida cristã. Se essa alegação for verdadeira. Bem, a resposta é encontrar um equilíbrio, o real equilíbrio luterano entre ambos.

O Pietismo, porém, se move para o outro extremo, pode-se dizer assim. Eles começam a se concentrar em sentimentos e desejos piedosos, cada vez mais à detrimento de qualquer compreensão doutrinária do próprio Evangelho. A razão pela qual isso é problemático, é porque você nunca pode fugir da doutrina. Como veremos aqui, mesmo aqueles que são pietistas, começam a elaborar uma doutrina de justificação, que não é melhor. Simplesmente não é considerada. Eles começam a dizer coisas que, francamente, se tivessem lido melhor o que Lutero escreveu, faria com que percebessem que não são mais luteranos.

Então, quando olhamos para o Pietismo, há alguns movimentos realizados por eles. E essas são algumas das características gerais: Alguns movimentos específicos dentro do Pietismo o marcam como um movimento ao todo até o final.

A Abordagem Pietista

  1. separação da cabeça e o coração.
  2. diminuição da ênfase confessional
  3. anti-institucional (grupos pequenos etc)
  4. estudo pessoal da Bíblia
  5. hermenêutica diferente (emoções)

Em primeiro lugar, como já mencionamos. Eles têm uma separação da cabeça e coração.

Em segundo lugar, por causa dessa distinção, eles começaram a enfatizar que o que marca alguém como um cristão não é sua confissão da fé. Não é a exposição do que eles acreditam. Pense no Credo dos Apóstolos ou no Credo de Nicéia. Estas sistematizações, essas gramáticas do que acreditamos. E há uma variedade deles. Mas o que acaba acontecendo no Pietismo é que eles dizem que a carta confessional está morta. O foco nisso como algo que acreditamos não é mais importante. O importante é a vida emocional. Na medida em que podemos nos concentrar nisso, não precisamos mais focar nos padrões confessionais como sendo as coisas que marcam e nos diferenciam.

De repente, o envolvimento leigo, a liderança leiga, importa mais, ou infinitamente mais, do que a do pastor, para o estudo pessoal da Bíblia.

Em terceiro lugar, o Pietismo tende a ser relativamente anti-institucional, quando se trata da igreja. Como veremos aqui, é o Pietismo que se torna, pode-se dizer, o fundador dos pequenos grupos como um movimento de igrejas dentro das igrejas, que é francamente tão comum na vida da maior parte da igreja hoje, pelo menos no mundo ocidental. A idéia é que a assembléia corporativa do povo de Deus é boa, mas não é onde a igreja acontece. A igreja, os Pietistas começam a dizer, acontece em nossos pequenos grupos. E há uma relativa depreciação do culto corporativo no domingo. Há uma relativa depreciação do pastor como líder e expositor do Evangelho para o povo de Deus. De repente, o envolvimento leigo, a liderança leiga, importa mais, ou infinitamente mais, do que a do pastor, para o estudo pessoal da Bíblia. Agora, isso é uma coisa maravilhosa. Isso é algo que, francamente, não poderia ter acontecido antes. Muitas vezes, as pessoas gostam de perseguir a idade média e até o século 16, pelo seu foco corporativo e pastoral na liderança, em termos da pregação e estudo bíblico.

stock-photo-johann-gutenberg-right-in-engraving-from-252141904Bem, você tem que entender o contexto. Antes da Prensa Móvel de Gutenberg, que não é a primeira prensa móvel, mas é uma revolução em como a impressão ocorre. Gutenberg conseguiu descobrir uma maneira de não fazer cada página como um único bloco de madeira ou metal soldado. Em vez disso, ele encontrou um suporte dentro do qual ele poderia colocar letras. Então ele poderia mover essas letras, criando essencialmente um novo modelo para cada nova página de um livro na velocidade da luz. Imagine se puder, ter que entalhar ou criar uma matriz exclusiva para cada página de um livro. Essencialmente, era assim que o modelo mais antigo de impressão funcionava. Como resultado, na Idade Média o custo de uma Bíblia era aproximadamente o custo da compra de uma casa. Elas simplesmente eram muito caras. Isso é a razão porque as Bíblias eram muitas vezes acorrentadas nas igrejas ou nos mosteiros. Eles não as acorrentavam porque as pessoas não as desejavam, e queriam mantê-las longe delas. Eles as acorrentavam porque elas eram tão caras, que e as pessoas as roubavam e fugiam com elas. As pessoas queriam ler suas Bíblias. Bem, com Gutenberg, particularmente quando entramos no século 17, o custo da impressão agora é dramaticamente menor. Agora, as pessoas estão começando a aumentar sua alfabetização, porque eles aumentaram o acesso a essas coisas.

Então, o que o Pietismo começa a fazer é capitalizar no fato de que tantas pessoas podem ler e tantas pessoas podem possuir suas próprias Bíblias. Não é tão difundido quanto é hoje. Certamente, não após a revolução tecnológica dos computadores e esses dispositivos onde podemos ter versões eletrônicas da Bíblia em todos os nossos aparelhos quase que simultaneamente. Sem mencionar a variedade de traduções diferentes que podemos ter ao nosso dispor sem muita dificuldade. Mas ocorre um aumento relativo na alfabetização e acesso à Bíblia. Então o Pietismo começa a enfatizar o estudo pessoal da Bíblia. Individualmente, ou mais importante, no pequeno grupo.

Pietistas trazem uma nova hermenêutica ao texto. Em seus pequenos grupos, em seus estudos pessoais da Bíblia, a ênfase sempre, sempre é: Você lê um texto e pergunta. “Como isso fez você se sentir?

Por último, o Pietismo traz consigo uma hermenêutica diferente. A hermenêutica protestante mais antiga, por assim dizer, era que a palavra de Deus é inerrante – o que não é uma doutrina exclusiva, é claro. Os Católicos acreditam o mesmo sobre as Escrituras – mas também é clara. Portanto, os protestantes enfatizavam que a interpretação das Escrituras é relativamente objetiva, e que não precisamos da igreja ou do papado para definir ou codificar certas doutrinas para nós.

Bem, frequentemente, a prática dos Protestantes era examinar as escrituras e perguntar: “O que Deus está nos ensinando aqui?” Não apenas intelectualmente, mas havia uma ênfase em saber o que o texto significava. Você não se coloca dentro do texto, para colocar uma roupagem mais do século 21. Em vez disso, o texto ensina algo a você. Ele te sacode, surpreende você.

Pietistas trazem uma nova hermenêutica ao texto. Em seus pequenos grupos, em seus estudos pessoais da Bíblia, a ênfase sempre, sempre é: Você lê um texto e pergunta. “Como isso fez você se sentir?” De certa forma, você pode dizer que os pietistas trazem uma experiência pessoal mais subjetiva aos textos. Eles se concentram menos no que o texto significa objetivamente e mais em si mesmos como um ser existencial que precisa descrever o que ele ou ela sente ao ler as Escrituras. Agora, ninguém no protestantismo vai negar que devemos ser honestos sobre nossas próprias respostas emocionais subjetivas às Escrituras. A questão aqui é que o pietismo acredita, em um nível hermenêutico, que este é o principal caminho, a forma principal, ou a única forma de ler as Escrituras. Tentar extrair doutrina e ensinamentos e manusear a Escritura de qualquer maneira vista como intelectual, é considerado irrelevante para a vida cristã. E às vezes, é considerado prejudicial para a vida cristã.

História do Pietismo

Muito bem, depois dessa longa introdução sobre a cultura geral do Pietismo. Tivemos que fazer isso porque o pietismo prossegue por pouco mais de um século, e continua muito além. Mas agora iremos examinar exatamente como o Pietismo surge no contexto da Alemanha Luterana.

Precursores do Pietismo

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Em primeiro lugar, há o que hoje chamamos de Precursores do Pietismo. Há alguns deles. A maioria dos precursores, se concentra e se baseia numa aplicação genérica e mística da vida cristã. Havia um místico famoso na Alemanha, chamado Johann Tauler. Um homem que se concentrou mais na experiência existencial subjetiva da vida cristã. Ele é da Idade Média. Então ele é mais uma pessoa mística, pertencente a uma tradição monástica. Tauler tinha uma ênfase de longa data e uma influência em várias pessoas. Ele até influenciou um pouco Lutero. A sua compreensão de como o Evangelho e a forma como a vida cristã nos encontram existencialmente, certamente não é uma coisa ruim. O problema, é claro, com toda essa sorte de misticismo, é que ele pode facilmente descer ao puro misticismo, onde a vida pessoal se torna tudo o que importa. De certa maneira, alguns desses precursores fazem mudanças sutis no início e eventualmente, elas se tornam bastante significativas e se afastam das doutrinas ou padrões confessionais. Qualquer exposição do que sabemos ser verdadeira, para uma ênfase num sentimento pessoal mais místico sobre como a vida cristã deve ser vivida.

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Johann Arndt

O principal precursor do movimento Pietista é um homem chamado Johann Arndt. Arndt viveu na segunda metade do século 16 e morreu em 1621. Levando-o até século 17. Arndt era um luterano tradicional, treinado em dogma tradicional em teologia, e ele se tornou um pastor. Arndt, porém, foi influenciado por essa tradição mística de Tauler, lá nas terras alemãs. Partindo daí, ele começou a focar em sentimentos e experiência, como a ênfase e centro da vida cristã. Muito disso veio do fato de que Arndt, tendo tentado aplicar seu treinamento confessional e dogma, quando ele se tornou um pastor, ele na verdade se desiludiu. Não seria um exagero dizer que Arndt se desiludiu com sua própria pregação. E se você é um pastor e se desilude a si próprio, então você tem alguns problemas. Então, Arndt inicia uma busca de redescoberta e refundamentação de si mesmo em algo que fosse mais apaixonado do que aquilo que os modelos confessionais tinham deixado para ele. Então, em 1606, Arndt publicou um livro chamado Verdadeiro Cristianismo.

Agora, sempre que você vê um livro como este, eu sempre alerto às pessoas. Procurem sempre por adjetivos e advérbios como indicação da direção que o livro está tomando. Um livro intitulado Verdadeiro Cristianismo, obviamente, implica que existe um falso cristianismo em curso, lá nas terras alemãs. Então, o que Arndt está assegurando é que ele redescobriu o verdadeiro cristianismo. O verdadeiro batimento cardíaco dele. Bem, Arndt e outros precursores desse movimento pietista, como acabaria por ser conhecido, introduziram uma mudança nas pessoas, onde elas começam a dobrar a aposta, sobre o que significa estar emocionalmente ligado e investido na vida cristã.

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Philip Jacob Spener

Pode-se dizer que Spener começa a se mover mais francamente numa direção Anabatista, em termos de piedade interna e santificação como objetivo da vida cristã.

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Símbolo dos Valdenses Lux lucet in tenebris (“A luz Brilha na Escuridão”)

Avançamos uma geração e chegamos ao homem, que pelo menos a maioria dos estudiosos, considera ser o pai do movimento Pietista. Philip Jacob Spener. Spener vive e escreve e exerce seu ministério na segunda metade do século 17. Ele morre em 1705, no início do século 18. Spener foi, na verdade, influenciado por Arndt, e ele leu Verdadeiro Cristianismo e outros livros como esse. Isso desencadeia em Spener uma vida meio errante, onde ele viaja de um lugar para o outro, aprendendo com todos os diferentes tipos de protestantismo. Ele viaja para Genebra por um tempo, acredite se quiser, que na sua época, dada a hostilidade entre as confissões reformadas e luteranas, passa uma leve sensação de que Spener está procurando além do aprisco luterano por algumas respostas. Ele fica impressionado com a piedade externa, pelo menos, que ele experimenta em Genebra. Ele também viaja e passa algum tempo com os Valdenses, que é um grupo das regiões da Suíça. Pode-se dizer que Spener começa a se mover mais francamente numa direção Anabatista, em termos de piedade interna e santificação como objetivo da vida cristã. É muito difícil, eu vou dizer agora, se você realmente olha o que Spener diz, compreendê-lo a essa altura como sendo um luterano. Agora, Spener não abandona o luteranismo. Ele permanece um luterano até o dia da sua morte. Cada vez mais, porém, ele é atacado pela instituição dentro do mundo luterano. E eu penso que há boas razões, especialmente quando olhamos o que Spener diz, para entender porque havia preocupação.

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“Ninguém será justificado além daqueles que intencionarem a santificação”

Spener publicou um livro conhecido hoje em inglês como Pious Desires ou Pia Desideria em seu original. Spener essencialmente pegou o cerne do que Arndt e outros haviam discutido sobre a vida cristã e colocou tudo isso em seu livro. Na verdade, Pious Desires, é o livro de onde tiramos o nome Pietismo. É Importante assim. Spener elabora um programa, pode-se dizer assim, sobre como a vida cristã deve ser vivida. E mais importante, como a igreja luterana poderia ser refundada com um compromisso por desesos piedosos. O diagnóstico é sempre que o modelo confessional da igreja luterana é insuficiente para a vida cristã. Que a mera pregação da Lei e Evangelho é problemática, e que deve haver algo que gere ou cultive, como o título do livro sugere, desejos piedosos.

Pious Desires

  1. “Uma igrega dentro da igreja” (pequenos grupos)
  2. Justificação pela fé E emoções/piedade
  3. Treinamento teológico deve estudar apenas a vida prática

Há três coisas na obra de Spener que podemos destacar. E essas se tornam quase a base do Pietismo da época de Spener, à medida que se refletem através de várias denominações diferentes e se espalha por completo na época atual com o evangelicalismo. Essas três coisas tendem a vir do Pious Desires. E elas realmente incorporam essa nova ideia de uma nova direção, que novamente forma tanto da história subsequente do protestantismo.

Spener está quase sinalizando o que iria acontecer ao longo do próximo século. Onde não é mais o Pastor que lidera, conduz e pastoreia a igreja. Mas ao invés disso, temos que envolver os leigos para liderar a igreja, apaixonadamente por nós. Esta é a característica do Pietismo de Spener. Ministério de pequeno grupo e estudo bíblico.

Em primeiro lugar, Spener argumenta, como disse no início, em termos do macro-entendimento do Pietismo. É Spener que enfatiza que há uma igreja dentro da igreja. A reunião corporativa, o culto dominical da igreja é insuficiente para fundamentar o povo de Deus. Deve haver, ele alega, grupos pequenos. Esses grupos pequenos devem ser dirigidos por leigos. Eles devem ter paixão e dar voz as pessoas. Pode-se dizer que o que está acontecendo aqui é uma democratização um pouco fragmentada da igreja. Agora note que Spener morre em 1705. É o século 18, que nos dá a idade democrática, a idade republicana do desejo entre todos os países da Europae até no Novo Mundo, para enfatizar a participação dos leigos, da pessoa comum, seja na vida política, ou neste caso, a igreja. Spener está quase sinalizando o que iria acontecer ao longo do próximo século. Onde não é mais o Pastor que lidera, conduz e pastoreia a igreja. Mas ao invés disso, temos que envolver os leigos para liderar a igreja, apaixonadamente por nós. Esta é a característica do Pietismo de Spener. Ministério de pequeno grupo e estudo bíblico. Uma diminuição na ênfase da igreja como um todo se reunindo coletivamente.

Spener se afasta claramente da justificação somente pela fé, para se transformar, mais ou menos, em justificação pela fé e piedade.

Em segundo lugar. Spener se afasta claramente da justificação somente pela fé, para se transformar, mais ou menos, em justificação pela fé e piedade. Esta é uma citação do Pious Desires: Spener escreve: “Ninguém será justificado além daqueles que intencionarem a santificação”. Você quase pode ouvir Lutero rolando na sua tumba sobre essa citação. Um de seus pastores luteranos, em pouco mais de um século, está afirmando a coisa que Lutero viveu a sua vida toda para negar. Spener, aqui, essencialmente confundiu as categorias. Eu já disse isso antes e vou repetir aqui. Os protestantes acreditam na santificação. Eles apenas não acreditam que a santificação é a base de nossa justificação. A santificação não é uma coisa que você olha e diz. Bem, se estou sendo santificado, então sou justificado. Em vez disso, é a ênfase na justificação como uma obra que não realizamos.

O que Spener está argumentando é que você deve ser emocionalmente santificado. Se você não está sentindo esses desejos piedosos, então você deve duvidar se você é ou não justificado. Observe novamente, o quão sutil é esse problema. Não basta simplesmente dizer que a justificação tem um efeito. Em vez disso, temos que garantir que entendemos como esse efeito é compreendido.

Portanto, nossa santificação é algo que não realizamos por nós mesmos, como filhos e filhas adotados do Rei. O Espírito opera em nós porque fomos justificados. Portanto, dizer, como Spener faz aqui, que “Ninguém será justificado além daqueles que intencionarem a santificação”, é justamente a coisa que Lutero negou até o dia da sua morte. Todo luterano confessional nega isso. Não há menção da Justificação como base ou mesmo uma extensão da nossa santificação. Lutero coloca essas duas categorias, como se diz, tão distantes como o Oriente está longe do Ocidente. Não porque ele não acreditava que a santificação é importante. Mas porque ele sabia, como Spener aqui demonstra, que assim que você mistura essas duas coisas, essencialmente, o que você acaba tendo, é algo que se parece com o catolicismo medieval. Apenas em vez de mérito e penitência e esses tipos de coisas, o que Spener está argumentando é que você deve ser emocionalmente santificado. Se você não está sentindo esses desejos piedosos, então você deve duvidar se você é ou não justificado. Observe novamente, o quão sutil é esse problema. Não basta simplesmente dizer que a justificação tem um efeito. Em vez disso, temos que garantir que entendemos como esse efeito é compreendido.

O novo testamento fala incessantemente sobre isso, fala sobre a santificação, por exemplo, como fruto. Bem, o fruto em si é um produto das raízes e os ramos que são saudáveis e seguros. Lutero, na verdade, está principalmente preocupado com essa interpretação sutil. Não pela justiça das obras, mas pela equação da nossa justificação, com algo que nós fazemos, sentimos, ou experimentamos.

Se você não pode descrever o momento decisivo quando isso aconteceu em sua vida, então, vem essa dúvida crescente sobre se você é ou não um cristão. O Pietismo, em outras palavras, tende a enfatizar que somos quase; isto é uma caricatura, mas é certamente quase verdade, que somos justificados por nossas emoções. Que é apenas outra palavra-código para justificação pela fé e obras.

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Moravians and Radical Religion in Early America by Aaron Spener Fogleman

À medida que o Pietismo se desenvolve, então você verá que existe uma crença radical em um conversonismo. Aqueles que não se converteram, que não tiveram algum momento de crise do filho pródigo, por causa dessa influência pietista, começam a duvidar se realmente vieram a Cristo. Se a vida emocional é a base da nossa justificação, ou se você não teve uma experiência emocional radical. E por uma experiência radical, quero dizer, literalmente, uma rápida e quase sísmica vinda de Cristo sobre nós, que é esmagadoramente emocional. Se você não pode descrever o momento decisivo quando isso aconteceu em sua vida, então, vem essa dúvida crescente sobre se você é ou não um cristão. O Pietismo, em outras palavras, tende a enfatizar que somos quase; isto é uma caricatura, mas é certamente quase verdade, que somos justificados por nossas emoções. Que é apenas outra palavra-código para justificação pela fé e obras.

Terceiro e último. Spener argumenta que o treinamento nos seminários, treinamento teológico, precisa enfatizar menos a Bíblia e a doutrina, todas essas matérias que são tradicionais, e francamente focar na educação do seminário. Porque essas são as coisas que são mais difíceis de entender às vezes. Em vez disso, Spenser argumenta, vamos nos livrar dessas coisas, ou, pelo menos, diminuí-las. E ele disse, vamos nos concentrar apenas na formação espiritual prática, ou pelo menos, massivamente. Então observe novamente, este balançar bastante abrupto do pêndulo em direção à piedade, particularmente no sentido de que é anti-doutrina e anti-confessional, agora não só prejudicou nossa compreensão da justificação somente por Cristo, mas agora diminui a importância tanto da Bíblia quanto da doutrina como algo que vale a pena ser estudado, ou como qualquer parte verdadeiramente significativa do treinamento para o ministério pastoral. Não precisa ser cientista espacial para ver como isso vai afetar as coisas ao longo dos séculos. Você tem seminaristas e professores e administradores de seminários ao longo dos séculos dizendo: Vamos nos livrar desse material bíblico. Como o estudo da Bíblia realmente vai nos ajudar? Ou como estudar a fé que nos foi transmitida e realmente aprender a ter cuidado com nossas palavras, quando descrevemos a nossa teologia confessionalmente? Vamos nos livrar disso, ou vamos deixar de enfatizar isso e nos concentrar no ministério espiritual prático. O problema aqui, não está nos privilégios ou no cuidado ou preocupação com a formação espiritual, ou o ministério prático. É que é usado para evitar qualquer exploração séria da Bíblia ou de nossa confissão. Torna-se uma questão exclusiva: Sim ou Não, em vez de uma posição inclusiva.

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Hermann Francke

No final, Spenser não foi expulso da igreja Luterana por causa da sua compreensão do Pietismo. Mas ele é o pai do Pietismo. Porém, com o tempo eventualmente, ocorre uma separação completa. Em particular com um homem de nome Hermann Francke e outros. E Francke foi o homem que disse: Vamos deixar de ser Luteranos, e vamos mudar para sermos outra coisa. Portanto, a importância do Pietismo, não é apenas uma briga interna entre luteranos, porque eis o que acontece:

Duas Influências

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Emblema dos Morávios com Agnus Dei

E através dos Morávios, oPietismo alcança e influencia dramaticamente a vida e a teologia de Wesley. E é o Wesleyanismo que se torna a trajetória teológica dominante na maior parte das Américas no século 18.

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John Wesley

O Pietismo, uma vez que se liberta e fica de pé por conta própria, separado da igreja Luterana, começa a influenciar fortemente duas das mais importantes denominações e trajetórias teológicas a partir do século 18 em diante. Ou seja, os Morávios, que veremos em uma próxima palestra. E através dos Morávios, oPietismo alcança e influencia dramaticamente a vida e a teologia de Wesley. E é o Wesleyanismo que se torna a trajetória teológica dominante na maior parte das Américas no século 18. E então você tem essa mistura de uma experiência luterana pietista e emocionalismo passional, que começa a exercer uma influência além de si mesmo, que eventualmente se tornará um dos princípios fundamentais da espiritualidade wesleyana moderna, e, por extensão, até o movimento evangélico moderno.


Ryan M. Reeve (PhD Cambridge) é Professor Assistente de Teologia Histórica no Gordon-Conwell Theological Seminary. Twitter: https://twitter.com/RyanMReeves Instagram: https://instagram.com/ryreeves4/

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Justiça da Graça e Justiça da Lei

Ao ler isso percebemos que a grande maioria dos denominados cristãos evangélicos hoje, pensam como o renomado teólogo católico, Erasmus, e se contorcem ao ler Lutero.

Sem essa distinção correta da Lei e do Evangelho, não há diferença enter cristãos verdadeiros e qualquer membro de outras religiões que praticam boas obras, e vivem uma vida moral e ética correta. Eles simplesmente não conseguem compreender esta diferença que está explícita em Jesus e no seu modo de viver.

Lutero diz que os teólogos escolásticos focam muito na questão do amor, e exigem uma justiça do homem comparável a justiça de Deus, como se fazendo boas obras e tendo sentimentos nobres e sendo bons, essa justiça “infundida” – näo imputada – em nossos coraçōes fosse capaz de nos justificar.

A dialética arminiana-calvinista também faz isso – assim como todos os escolásticos eles deturpam a justiça original e a transformam em moralismo.

JUSTIÇA DA GRAÇA (DE CRISTO) X JUSTIÇA DA LEI

“Se, aqui, não sabemos distinguir entre essas duas justiças, se, aqui não apreendemos a Cristo pela fé, sentado à direita de Deus, que é a nossa vida e justiça, que, também, intercede por nós, míseros pecadores, junto ao Pai, então estamos sob a lei e não sob a graça, e Cristo não é mais salvador, mas legislador, Então, já nenhuma salvação nos resta, mas seguirão, com certeza, o desespero e a morte eterna”.

“Aprendamos, pois, diligentissimamente esta arte de distinguir essas duas justiças, a fim de que saibamos até que ponto devemos obedecer à lei. Dissemos acima que a lei não deve exceder seus limites no cristão, mas, apenas, deve ter seu domínio sobre a carne, a qual é sujeita a ela e sob ela permanece. Onde isso acontece, a lei mantém-se dentro de seus limites. Se, porém, ela quer ascender à consciência e dominar ali, vê que, então, sejas um bom dialético e que faças a distinção correta e não atribuas à lei mais do que deve ser atribuído e digas a ela: “Lei, tu queres ascender ao reino da consciência e, ali, dominar. Tu queres acusá-la de pecado, tirar a alegria do coração que tenho pela fé em Cristo e me impelir ao desespero, a fim de que pereça. Isso tu fazes contra teu ofício. Permanece dentro dos teus limites e exerce o domínio sobre a carne. Tu não deves atingir minha consciência, pois sou batizado e chamado pelo EVANGELHO à comunhão da justiça e da vida eterna, ao Reino de Cristo, no qual a minha consciência encontra repouso, onde não há lei, mas, apenas, remissão dos pecados, paz, tranquilidade, alegria, salvação e vida eterna. Não me perturbes neste setor. Na minha consciência, não reina a lei, duro tirano e carrasco cruel, mas Cristo, o Filho de Deus, o rei da paz e da justiça, o dulcíssimo Salvador e Mediador que conservará a consciência alegre e pacífica, na sã e pura doutrina do Evangelho e no conhecimento desta justiça passiva”. “Quando tenho esta justiça em mim, desço do céu como a chuva que fecunda a terra, isto é avanço para dentro de um outro reino e faço boas obras onde houver oportunidade”.
(Martinho Lutero, em seu comentário à Epístola aos Gálatas).

LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Volume 10 – Interpretação do Novo Testamento – Gálatas – Tito. Tradução Paulo F. Flor e Luís H. Dreher. São Leopoldo: Sinodal. Canoas: Ulbra. Porto Alegre: Concórdia, 2008.Pg. 35

 

Faça Alguma Coisa!

Kevin DeYoung
Kevin DeYoung

“Deus não é uma bola de cristal onde cada um pega, fricciona e observa atentamente sempre que tem de tomar alguma decisão. Ele é um Deus bom, que nos deu um cérebro, mostra-nos o caminho da obediência e convida-nos a assumir riscos por Ele.”

“Partimos do pressuposto de que vamos experimentar o céu na terra e então ficamos desapontados ao perceber como a terra tem tão pouco céu”.
“(…) As pessoas deveriam gastar-se menos, parar de passar anos a fio espiritualizando a sua incapacidade de tomar decisões, porque estão sempre ocupadas tentando descobrir, em vão, qual a vontade de Deus”.
“Não corremos riscos por Deus porque temos obsessão por segurança, proteção e, sobretudo, pelo futuro”.
“Temos de parar de pedir a Deus que nos revele o futuro e tire todos os riscos da nossa vida”.
“O que importa é quem somos e não onde estamos”.

Translation of: Just Do Something: A Liberating Approach to Finding God’s Will by Kevin DeYoung