Called to Wait

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In a rapidly changing world, we all face new seasons in our lives, some we choose and others that are forced upon us: one stage of life ends for another to begin; new career challenges lead to different jobs; new opportunities change our ways of living.

In these times, we have a tendency to believe that nothing good will come from this experience of waiting. But this is the most valuable time of our lives in Christ: when he draws near and works with us to align our wills to his purpose. This season enables us to respond to his call for the next phase of our lives. There is excitement in this time if we have the right attitude and if we can embrace rather than resist the challenges of the season.

Draw Close to God

God uses times of waiting to draw us closer to him, to ourselves, and to our loved ones. So many people have told me that in times of uncertainty they have drawn closer to not only God but also their spouses and others near them. In the battle for our attention, God often has to let us go through a period of adversity so that we might attune our ears to his voice and discern his direction.

In a frenzied world we often slot God into overactive lives, trying to force him to fit around our routines. This never works. A waiting period is a time to recognise that we have drifted into a world of expectation and instant answers. This is not the real world. Often God’s way is to waken within us a calling, but then to allow us to recognise that his greatest desire is to draw close to us.

In the book of Isaiah, King Hezekiah fell ill and received word from the prophet Amos that he was about to die. The king cried out to God for salvation, and after a short period of waiting, God sent Isaiah to inform him that he would now live. Unsurprisingly, the king was fairly relieved! But even before he was cured, King Hezekiah started singing a song of praise to the Lord.

In the darkness of his uncertainty, Hezekiah found himself drawn close to God—able to appreciate afresh the grace and love of his Savior.


Excerpt from the book “Know Your Why: Finding And Fulfilling Your Calling” by Ken Costa

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Chamados para Esperar

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Photo by Daniel Monteiro on Unsplash

Em um mundo de rápidas mudanças, todos enfrentamos novas estações em nossas vidas, algumas que escolhemos e outras que são impostas sobre nós: um estágio da vida acaba para que outro comece; Novos desafios de carreira levam a diferentes empregos; Novas oportunidades mudam nossos modos de vida.

Nestes tempos, temos uma tendência a acreditar que nada de bom virá dessa experiência de espera. Mas este é o momento mais valioso de nossas vidas em Cristo: quando ele se aproxima e trabalha conosco para alinhar nossas vontades ao seu propósito. Esta estação nos permite responder ao seu chamado para a próxima fase de nossas vidas. Há uma excitação neste momento se tivermos a atitude certa e se pudermos abraçar em vez de resistir aos desafios da estação.

Chegue mais perto de Deus

Deus usa momentos de espera para nos aproximar dele, de nós mesmos e de nossos entes queridos. Muitas pessoas me disseram que, em tempos de incerteza, eles se aproximaram de Deus, mas também de seus cônjuges e de outros próximos a eles. Na batalha pela nossa atenção, Deus muitas vezes tem que nos deixar passar por um período de adversidade para que possamos sintonizar nossos ouvidos com sua voz e discernir sua direção.

Em um mundo frenético, muitas vezes dividimos Deus em vidas super ativas, tentando forçá-lo a se encaixar em nossas rotinas. Isso nunca funciona. Um período de espera é um momento para reconhecer que temos ficado à deriva em um mundo de expectativas e respostas instantâneas. Este não é o mundo real. Muitas vezes, o caminho de Deus é despertar dentro de nós um chamado, mas depois permitir que reconheçamos que seu maior desejo é aproximar-se de nós.

No livro de Isaías, o rei Ezequias ficou doente e recebeu a palavra do profeta Amós de que estava prestes a morrer. O rei clamou a Deus por salvação, e depois de um curto período de espera, Deus enviou Isaías para informá-lo de que ele agora viveria. Como seria de prever, o rei ficou bastante aliviado! Mas mesmo antes de ser curado, o rei Ezequias começou a cantar uma canção de louvor ao Senhor.

Na escuridão de sua incerteza, Ezequias encontrou-se atraído para perto de Deus, capaz de apreciar novamente a graça e o amor de seu Salvador.


Extraído do livro: “Know Your Why: Finding And Fulfilling Your Calling” [Conheça o seu porquê: Encontrando e cumprindo o seu chamado] por Ken Costa

Tomando a Perspectiva de Deus

Tomando a Perspectiva de Deus

Um dos maiores problemas enfrentados pelo cristianismo hoje é uma recusa em acreditar que Deus possa se importar com nossos futuros individuais, que Deus possa se preocupar com nossas vidas no dia-a-dia ou tenha planos para nós fora de uma chamada ministerial específica. Muitas vezes, ficamos satisfeitos com a idéia de que Ele possa chamar outras pessoas, mas pode existir uma insegurança profunda sobre se Deus pode nos usar. Quando se trata do nosso chamado e do nosso futuro, tememos que Deus possa ter se esquecido de nós.

Podemos facilmente imaginar que políticos, professores, agentes sociais e médicos achem mais fácil ter a certeza de que seu trabalho é uma materialização do seu chamado cristão. Mas e quanto aqueles que não vão curar o câncer, prestar ajuda ou evangelizar de um púlpito? Como eles podem vislumbrar um chamado que é exclusivo deles?

“O mundo é utilitário em seus julgamentos e padrões. Quanto mais óbvio é o bem que fazemos e quanto mais pessoas impactamos positivamente, mais o mundo julgará nossos esforços como merecedores. Mas essa não é a perspectiva de Deus.”

Parte da resposta está em tentar ver o nosso trabalho através dos olhos de Deus, e não através dos olhos do mundo. O mundo é utilitário em seus julgamentos e padrões. Quanto mais óbvio é o bem que fazemos e quanto mais pessoas impactamos positivamente, mais o mundo julgará nossos esforços como merecedores. Mas essa não é a perspectiva de Deus.

No final, mesmo a maior das nossas obras será esquecida pelo mundo. Todos os nossos esforços serão pó e cinzas diante da glória eterna de Deus. Há uma bela simplicidade nesse versículo de Isaías 40: “Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (versículo 8). Quando se trata do mérito de nossos chamados, precisamos tomar uma perspectiva divina e lembrar que os padrões de Deus não são como os do mundo.

Algumas pessoas são chamadas para fazer grandes obras — governar países, organizar esforços de ajuda humanitária, evangelizar milhões. E algumas pessoas são chamadas para realizar pequenas ações de serviço — servir café com um sorriso, varrer as ruas, assar um bolo para os vizinhos. Mas Deus não olha para essas coisas e as vê como inconsequentes. Para ele, elas são belos derramamentos do seu espírito.

Um chamado para servir a Deus no local de trabalho pode ser para recuperar uma empresa falida. Ou talvez seja para ser um amigo leal e fiel para um colega de trabalho que está passando por um momento difícil. Embora o mundo julgue um como mais significativo do que o outro, mas não é a maneira como Deus vê.


Extraído do livro: “Know Your Why: Finding And Fulfilling Your Calling [conheça o seu porquê: Encontrando e cumprindo o seu chamado] por Ken Costa

Como saber quando você é mais do que apenas amigo de alguém?

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Photo by Elizabeth Tsung on Unsplash

Como saber quando você é mais do que apenas amigo de alguém?
Por Dr. Henry Cloud

Há uma discurso recorrente sobre as diferenças de comunicação entre homens e mulheres, e às vezes, com bons resultados. Mas na minha experiência, os solteiros não sofrem tanto com as diferenças em sua comunicação quanto com a sua falta de clareza na comunicação. Resumindo, eles têm mal-entendidos que os deixam muito magoados, decepcionados e desanimados com os relacionamentos em geral. Você já experimentou algum desses sentimentos?

•  Sentiu-se como se vocês fossem “mais do que amigos”, e então, abruptamente, ouviu que vocês não eram?
• Sentiu-se como se vocês fossem “apenas amigos” e depois descobriu que alguém se sentiu muito irritado e traído porque vocês não eram “mais do que amigos?”
• Quis tanto que um relacionamento desse certo que você cedeu a coisas que você realmente não queria fazer e depois se arrependeu mais tarde?
• Ou, quis tanto que um relacionamento desse certo que você deu mais e mais de si mesmo para no final descobrir que não dava certo?
• Namorou alguém, e começou a ficar mais sério, e depois ficou surpreso com a falta de espiritualidade dele ou dela quando parecia ser o contrário?

Estas são experiências comuns para alguém que é solteiro e está namorando ativamente, mas precisa ser assim? O que causa esses problemas?

Bryn estava sentada no meu escritório com o coração partido. Ela vinha me contando por alguns meses sobre o seu novo interesse amoroso, o Mark. Da forma como ela havia descrito o relacionamento, eles começaram como amigos, e ela achou que era uma boa idéia. Ela disse que conhecia muitas pessoas que começaram a se relacionar de maneira romântica e então quando a paixão inicial acabou, não restou muita coisa. Ela queria começar com uma base sólida. Ela e Mark faziam coisas juntos, às vezes em grupo, e às vezes sozinhos. Ela estava adorando a amizade e, no início, estava claro que eles eram “apenas amigos”, em relação a tudo o que Mark fazia ou falava.

O que tinha começado a me incomodar como seu terapeuta era que ela estava falando sobre um relacionamento que era de “apenas amigos”, e defendendo isso enquanto, ao mesmo tempo, mantinha uma fantasia secreta (pelo menos secreta para ele) que as coisas avançariam para algo mais sério. Não me opus que ela não colocasse todas as suas cartas na mesa de uma vez, pois geralmente é assim que o namoro funciona. As pessoas se tornam amigas, passam tempo juntas e depois abrem a porta para mais coisas. O que me incomodou foi o crescente aprofundamento dos sentimentos que ela estava experimentando e que estes continuavam escondidos.

“Amigos geralmente não estão à disposição e serviço do outro. Eles têm reciprocidade no seu relacionamento. Se você está se tornando “muito conveniente” para alguém, seja com favores ou fisicamente, isso não é um bom sinal de que você esteja numa amizade saudável.”

Então ficou ainda mais complicado. De vez em quando, ao passar a noite juntos, eles assistiam televisão no sofá, e pouco a pouco passaram dos abraços, carícias, até sessões completas de “agarração.” Mas, o problema era, não havia nenhuma menção sobre uma mudança no status da relação deles. Eles ainda eram “apenas amigos”, mas se comportavam às vezes de forma muito diferente de como os amigos se comportam.

A cada encontro físico, ou a cada vez que Bryn fazia algum tipo de favor para Mark, suas esperanças e sentimentos aumentavam. Mais uma vez, na superfície, não parecia ser um “problema”. Mas bem no fundo, era um problema muito real. A questão real era que essa amizade estava tendo expectativas muito diferentes de ambas as partes, e nenhum deles falava sobre o que estava acontecendo. Mark estava gostando de ter alguém para cuidar dele e fazer as suas vontades. Ela vinha e cozinhava, saia com ele em cima da hora quando ele se sentia solitário, entre muitos outros tipos de “cuidados”. E ele não parecia estar prestes a se queixar sobre o crescente carinho físico que ele recebia. Mas, o Mark estava tendo todos esses benefícios do relacionamento sem a responsabilidade do compromisso ou a definição de ser mais do que amigos. Não havia expectativas claras sobre o que ele deveria oferecer. Ela estava dando muito de si, e tinha grandes esperanças, mas ele estava simplesmente aproveitando o passeio.

Não me surpreendeu quando um dia ela entrou e me disse que Mark tinha uma nova namorada. Ele chegou e disse a ela, como você faria com qualquer outro amigo. E para ele, isso era normal, porque em sua mente, era tudo o que ele e Bryn eram, “apenas amigos”. Ela ficou furiosa e queria que ele explicasse o tempo que passaram juntos e a troca de afeto físico. Ele não disse nada, exceto: “Eu pensei que éramos apenas amigos e estávamos nos divertindo”.

Certamente ele não era uma vítima inocente das expectativas dela. O Mark agiu de uma maneira que os amigos normalmente não agem, a menos que tenham algum entendimento do que estavam fazendo em qualquer momento. Normalmente, amigos que passaram tanto tempo juntos teriam falado sobre isso, rido a respeito, ou algo assim. Mas, pelo menos, ficaria entendido. Está sobre a luz e é claro. Nesse caso, como em tantos outros, as coisas ficam escuras e sombrias.

Então, é isso o que você deve fazer. Seja honesto com você primeiro. Saiba o que você quer. Pare de se enganar. Se você está sendo “estratégico”, pelo menos se aproprie disso. Talvez você queira começar como amigos e ver o que acontece. Mas se você não revelar isso, lembre-se de que a outra pessoa pode não ter idéia de que você está sentindo ou esperando algo mais.

Certifique-se de que o seu comportamento corresponda ao seu nível de compromisso ou definição do relacionamento. Amigos geralmente não estão à disposição e serviço do outro. Eles têm reciprocidade no seu relacionamento. Se você está se tornando “muito conveniente” para alguém, seja com favores ou fisicamente, isso não é um bom sinal de que você esteja numa amizade saudável.

Em algum momento, coloque tudo sobre a mesa. Sejam mutuamente responsáveis pelos seus comportamentos. “Se você diz que somos apenas amigos, o que foi aquele beijo?” Ou “Se dissermos que somos apenas amigos, então por que você fica com ciúmes quando eu namoro com alguém? “Quando a realidade for diferente de qualquer maneira da forma como ela é entendida, fale sobre isso. Pratique o perdão e a compreensão enquanto você está tentando entender tudo. As amizades enfrentam muitas coisas ao longo dos anos. Não sejam muito duros um com o outro.

A amizade é uma coisa boa. Mas se você está esperando por mais, seja claro sobre isso. Caso contrário, você pode perder um bom amigo.


Texto original: How do You Know When You’re More than just Friends with Someone? By Dr. Henry Cloud

Três Perigos da Pregação Na Era Digital

 

Nosso relacionamento com a cultura é de reciprocidade e de formação mútua. Os artefatos, tecnologias e as redes de significado que construimos, abrem novas oportunidades, normalizam novas expectativas e geram novas pressões. Em grande parte não estamos cientes destas pressões, mas elas são poderosamente formativas. Nós produzimos a cultura, e a cultura, por sua vez, nos transforma.

Usando uma ilustração limitada, considere o efeito do e-mail em nosso trabalho. Podemos nos comunicar instantaneamente de qualquer lugar, de forma a promover a eficiência e a coordenação (oportunidades). Esta habilidade eleva o padrão do que sentimos que devemos fazer, reforça nosso senso individual de controle sobre nossas vidas e introduz novos códigos de etiqueta (expectativas). Mas também existem pressões: a obrigação de responder imediatamente, sentir culpa por estar incomunicável, sentimentos de impotência e isolamento quando estamos desconectados, a sensação persistente de que nunca estamos realmente longe do nosso trabalho. Afinal, não é tão simples assim.

Uma parte integral do ministério envolve ajudar os cristãos a reconhecerem como nossa cultura está nos formando, para que possamos buscar intencionalmente uma formação nos moldes do evangelho em nosso momento cultural. Os pastores devem se perguntar: “Como posso ajudar a igreja a discernir as forças da nossa cultura?” Também devemos perguntar: “Como as forças da nossa cultura moldam a maneira como pastoreio?”

Pregação na Era Digital

A revolução digital trouxe muitos tipos de benefícios. A possibilidade de se gravar sermões, por exemplo, significa que a Palavra de Deus e as nossas palavras podem chegar mais além do que era possível anteriormente. Na preparação de sermões, podemos ouvir como outros pregadores de qualquer parte do mundo abordaram uma passagem e a aplicaram ao seu contexto, enriquecendo nossa apreciação e apropriação das Escrituras.

Mas a digitalização da pregação também teve conseqüências não intencionais, às vezes não reconhecidas. A recepção da Palavra pregada foi separada da reunião física da igreja. Freqüentemente há cristãos “pastoreados” por pastores que nunca conheceram. Essas dinâmicas ajudaram a gerar a pressuposição de que a igreja existe simplesmente como uma produtora de conteúdo e que pregadores sāo apenas fornecedores de mercadorias.

O advento do MP3 criou oportunidades e moldou as expectativas na pregação. E em meio a isto, surgiram novas pressões.

Três Pontos de Pressão

Pastores são chamados a proclamar a eterna Palavra de Deus. Mas numa era digital, nossas palavras nos parecem eternas. São gravadas; são transmissíveis; aparentemente duram para sempre. E este padrão gera uma série de pressões sobre a tarefa do pregador, a maioria delas inconscientes. Aqui estão três.

1. A Pressão da Perfeição

Durante a maior parte da história, as palavras de um pregador soavam do púlpito para os fiéis presentes, ecoavam das paredes e desapareciam no silêncio. Pregar e ouvir um sermão era uma experiência transitória. Hoje, os sermões persistem no tempo, pois permanecem em forma digital. Essa permanência aumenta a ansiedade que muitos pregadores já sentem: se eu errar nesse sermão, ele permanecerá errado para sempre.

Um bom sermão pode permanecer como um monumento à sua sabedoria pastoral. Um sermão ruim como um memorial da sua insuficiência, elevando a tristeza das manhãs de segunda-feira a um novo patamar. Pregadores sempre foram tentados pelo orgulho e pelo desespero, mas quando suas palavras são permanentes, a idolatrizaçāo de sermões pode se manifestar de novas maneiras.

2. A Pressão da Totalidade

A concisão é uma habilidade adquirida. Todos os pregadores e especialmente os novatos, lutam para eliminar as adoradas análises exegéticas e aplicacionais que fascinam e edificam, mas que inflam em demasia um sermão. O desejo motivacional de ser fiel ao texto é uma coisa boa, mas o resultado frequentelmente não é muito útil.

Mas quando um sermão existe para sempre, a pressão para falarmos tudo o que poderia ser dito se intensifica. Começamos a pensar, por exemplo, que, em vez de pregarmos um sermão sobre o Salmo 22, estamos pregando o sermão sobre o Salmo 22. É minha única oportunidade para pregar corretamente sobre o texto. Este será o sermão que vou recomendar a pessoas que me perguntem sobre este texto. Portanto, necessito dizer tudo.

Entāo, cada sermão torna-se potencialmente uma mensagem autônoma, capaz de ser removida da progressão do ensino que o precedeu e o sucedeu. E esta dinâmica aumenta a pressão para tratarmos o texto exaustivamente, de maneiras que podem prejudicar a efetividade de um sermão.

3. A Pressão da Universalidade

Sermões gravados podem atravessar o mundo e serem recuperados anos após sua primeira pregação. Esta é uma bênção extraordinária. Mas isto pode levar a uma mudança do nosso público-alvo. Ao invés de pregarmos para a igreja local, pregamos com os ouvintes digitais em mente. Pensamos portanto que o sermão deve ser geograficamente e culturalmente sem fronteiras. Necessita ser atemporal. Necessita ser aplicável a uma pessoa que poderá baixá-lo daqui a cinco anos, que está a mais de 1.600 Km de distância.

Mas esta percepção vai contra um dos principais propósitos da pregação, visto que descontextualiza a aplicação da verdade de Deus da época e do lugar em que estamos vivendo. É bom almejar sermos abrangentes, mas não à custa das preocupações únicas de nosso rebanho. Esforçarmo-nos pela universalidade acaba por privar as ovelhas sob nosso cuidado do conforto específico, da advertência e da chamada ao discipulado que elas tanto necessitam ouvir.

Combatendo a Pressão

A maioria de nós não se curva conscientemente a estas pressões. Elas simplesmente fazem parte da vida em um mundo onde temos a ilusão de eternidade e permanência para nossas palavras. Mas devemos conscientemente combater estas pressões se quisermos permanecer fiéis ao nosso Senhor, ao nosso próximo e à nossa tarefa.

Isto significa que nós, como pregadores, temos que entender o potencial formativo da tecnologia que usamos, as propensões dos nossos próprios corações e nosso chamado como pastores.

Devemos combater a pressão da perfeição com a realizaçāo vexatória de que nosso status nos é dado por Deus em Cristo, e não adquirido através da grandiosidade homilética. Devemos lutar contra a pressão da totalidade, assumindo uma visão de longo prazo, vendo os sermões não como banquetes completos, mas como uma refeição (potencialmente fadada ao esquecimento) que, através da obra do Espírito Santo, poderá nutrir os crentes no longo caminho até a maturidade. Devemos combater a pressão da universalidade privilegiando a igreja local e pastoreando o rebanho entre nós (1 Pe 5.2), através de uma pregação sabiamente contextualizada.

Devemos continuar a gravar nossos sermões? Claro, mas façamos isto como mordomos da Palavra eterna e não presumindo ser sua origem.


Trevor Laurence é pastor na Trinity Church de Winston Salem em Winston Salem, Carolina do Norte, EUA. Trevor e sua esposa, Sylvia, têm uma filha. Ele é formado pela Universidade da Flórida e pelo Gordon-Conwell Theological Seminary em Charlotte, Carolina do Norte. Pode-se segui-lo no Twitter.

Obras Sem Fé Não São Nada

lutherDizemos, portanto, com Paulo, em Rm 1.17: “A justiça de Deus é nele revelada, de fé em fé, como está escrito: O justo vivera da fé.” Porventura deveria o apóstolo ter sido instruído pelos eckianos para que acrescentasse esta glossa singular: “mas não só da fé”? Da mesma forma Rm 10.10: “Com o coração se crê para justiça.” Observa que a justiça é atribuída somente a fé, a tal ponto que ele menciona apenas o coração, sem qualquer referencia aos outros membros que poderiam atuar “. A confissão da boca, diz ele, resulta em salvação, mas onde a pessoa já é justificada pela fé.

O que quero dizer, para preterir essas tolices insonsas dos sofistas, é isto: não ha obras que justificam ou fazem justo, senão, somente a fé. No entanto, o justificado faz obras. O sentido da Escritura é este: a justificação é anterior as obras, e as obras são praticadas pelos justificados. Pois não somos justificados praticando obras justas, como diz erroneamente Aristóteles, mas, justificados, praticamos obras justas, assim como ninguém se torna bispo realizando as obras de um bispo, mas, depois de ter se tornado bispo, realiza as obras de um bispo. De igual modo, não são as obras da fé que fazem a fé, mas a fé faz as obras da fé. Não são as obras da graça que fazem a graça, mas a graça faz as obras da graça. E por isso que Deus olha primeiro para Abel (no qual se compraz) e só depois para suas obras. É isto que o apóstolo quer: somos justificados somente pela fé, não pelas obras, ainda que, como pessoas já justificadas, não omitamos as obras. E por isso ousa continuar dizendo que não há lei para o justo, pois quem já é justo pela fé não necessita de lei, mas faz obras espontaneamente. Esse modo de falar e entender nunca será entendido por tais sofistas afogados em suas obras. Pois o que ale diz em R. 2.13: “Não os que ouvem a lei, mas os que a praticam serão justificados”, diz porque são considerados justos, e não porque sejam justificados por obras. Praticar a lei é cumpri-la, ou seja, crer em Cristo.

Eles, porém, citam a Epistola do apostolo Tiago: “A fé sem obras é morta.” [2.17.] Em primeiro lugar, o estilo dessa epistola está muito abaixo da majestade apostólica e de nenhum modo pode ser comparado ao de Paulo. Depois, Paulo fala da fé viva, pois fé morta não é fé, é uma ilusão. Mas eis que os teólogos se agarram a esse um versículo com unhas e dentes, e absolutamente nada lhes importa que o restante da Escritura recomenda a fé sem as obras. Porém, este é seu costume: com um fragmento arrancado do contexto arremetem contra toda a Escritura.

Portanto, os que se gabam com o titulo de teólogos deveriam aprender, antes de mais nada, o que são fé e obras de acordo com as Escrituras, e não condenar imediatamente tudo em que estas se chocam com as opiniões inveteradas deles. Se o povo se choca com isso, que o atribuam a seus infelizes estudos, pois não ensinaram o povo a compreender a palavra de Deus e sua maneira de falar, necessária para a salvação. Eles próprios são responsáveis por tais escândalos. É com muito perigo que se pregam as obras como anteriores fé. A fé sem obras, porem, é pregada sem perigo algum. Isso porque o povo está disposto e propenso a confiar em obras, e as obras preponderam com facilidade sobre a fé. Onde, todavia, se ensina corretamente a fé pura, as obras vêm espontaneamente e sem perigo, desde que tenham aprendido que depende mais, que depende ludo da fé, que fará obras.

E um horror observar o quanto são ignorantes inclusive os teólogos — quanto mais o povo — no conhecimento da fé que professam. A Igreja está tão cheia de jactância das obras externas, que Cristo parece ter dito a respeito de nossos tempos: “Quando vier o Filho do homem, achas que encontrara fé sobre a terra?” [Lc 18.8.] Para ser breve: visto que fé é o correto e bom conceito de Deus, e que qualquer conceito por si só já leva a pessoa às obras, não ha dúvida de que quem tem a fé pratica todas as obras. Se já a imagem de tuna mulher e o amor a ela não nos deixam sossegados, mas, sem lei e sem mestre, fazem mais do que se exige, como não seria a fé muito mais capaz de realizar a mesma coisa? 0 mundo é governado somente por conceitos, e o cristão não poderia ser governado somente pela fé? Afinal, quem ensina os teólogos sofistas a fazer, sofrer, pensar e evitar coisas tantas e tão grandes por amor de seus conceitos? Não seria openas o afeto por seus conceitos? Em outra ocasião direi mais sobre isso.

E extremamente ímpio o terceiro erro, em que ele afirma que a fé não é suprimida por nenhum crime, por ser a fé a justiça, e o crime o contrario — injustiça. Sei, porém, que ele me objetara com a invenção da fé infusa e da fé adquirida; mas por acaso é digno de um bom homem, quanto mais de um teólogo, saber que a tese de alguém é verdadeira e, não obstante, procurar nela outro sentido, para garrular que ela é falsa, e assim caluniar a verdade por causa de uma expressão ou de um equivoco num vocábulo? Que eximia teologia será essa se, quando alguém diz: “O cão é um animal que ladra”, tu contestares dizendo: “Não é verdade. O cão é uma constelação celeste”, sabendo perfeitamente que o outro usou o vocábulo “cão” em sentido diferente do que tu!

Quem não odeia essa duplicidade, ou melhor, multiplicidade sofista e odiosa num Proteu, quarto mais num teólogo? Visto, portal, que Eck diz no titulo que debate “contra uma doutrina nova”, concluo, em favor da simplicidade teológica, que ele não está falando de outra fé do que falei eu; do contrário, não estaria falando contra minha doutrina nova, e o titulo seria mentiroso. Por isso afirmo que essa sua contra-tese é a mais herética e ímpia que jamais vi, pois nega a fé como a única que justifica, contra o apostolo Paulo e o Evangelho de Cristo, afirmando ainda que a fé não é suprimida por nenhum crime. Além disso, defende o livre arbítrio como senhor dos atos, contra as Escrituras.
(Martinho Lutero: Obras Selecionadas 1: 372–374)


Tiago 2:20-23 “Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? 21 Porventura Abraão, o nosso pai, não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou (foi ativa) com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada (completada), 23 e cumpriu-se a Escritura, que diz: E creu Abraão em Deus, e foi-lhe isso imputado como justiça, e foi chamado o amigo de Deus.

A fé é passiva, pois recebe a justiça e a salvação que Deus dá livremente por causa do sofrimento e da morte de Cristo. Mas a fé é ativa, quando esta serve e ama o próximo.
Onde o artigo de Justificação é entendido erroneamente, isso se reflete no caráter do culto. Se sou justificado parcialmente pela minha fé que é ativa no amor, eu devo fazer algo no culto para mostrar a Deus quanto eu o amo e quanto ele significa para mim. É contra a nossa natureza sermos ajudados. Se você não acredita em mim, pense em como um homem velho se irrita quando seus filhos tentam ajudá-lo (ou uma criança pequena que está crescendo e ficando independência). Por natureza, não gostamos que as coisas sejam feitas para nós. Desejamos a independência e auto-confiança. Mas tais coisas devem ser deixadas na porta da Igreja que ensina corretamente o artigo principal do Evangelho: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; […] para que ninguém se glorie.”


Martinho Lutero: Obras selecionadas. 2nd ed. Vol. 1. Sao Leopoldo: Sinodal, 1993. Print. 12 vols.

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Batalha da Hermenêutica… Épico!!!

Este artigo explica a diferença entre a hermenêutica luterana e a hermenêutica calvinista em relação à interpretação das escrituras. Por que eu penso que a hermenêutica luterana leva a uma leitura mais precisa das escrituras?

Este é um assunto extenso!

Primeiramente, as polêmicas entre as igrejas luterana e reformada (calvinista) são historicamente épicas. Talvez isto seja porque a hermenêutica luterana e reformada/calvinista realmente resultam em diferentes tipos de cristianismo. Mas semelhante o suficiente para que as diferenças possam ser confusas!

Uma das coisas que me ajudaram a compreender a diferença entre uma visão luterana e reformada da Escritura é a distinção entre o uso magisterial e ministerial da razão. O uso magisterial da razão fluirá mais ou menos desta forma: Razão -> Bíblia. O uso ministerial da razão fluirá mais ou menos assim: Bíblia -> Razão. A razão deve estar subordinada à autorevelação de Deus.

“A verdadeira sabedoria consiste de dois elementos: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos.”― João Calvino, Institutas I:I:1

O calvinismo começou com um texto dogmático. Em suas Institutas, Calvino aborda o cristianismo começando com o conhecimento do Deus. Este começo está enraizado na razão e na filosofia. Em outras palavras, o calvinismo diz: “Aqui está o que Deus é (usando as categorias da filosofia, razão e Bíblia). Agora, vamos falar sobre o que Ele diz e faz com base no que Ele é. Quando não entendemos algo que ele faz ou diz, voltaremos ao que Ele é como forma de nos ajudar a encontrar a nossa resposta.”

O luteranismo começou com a pregação e ensinamento centrado em Cristo (o Evangelho é a resposta ao pecado), principalmente de Lutero, decorrentes do seu encontro com Cristo nas Escrituras, mas também de outros) e as declarações de fé (credos e confissões). Continua como uma igreja que baseia todo seu ensinamento e pregação nessas declarações de fé (embora chamadas “Luteranas”, menos de um terço dessas declarações foram escritas por Lutero). Dessa forma, não há um texto dogmático oficial. Em vez disso, existem muitos textos dogmáticos luteranos que são fiéis à teologia confessional da igreja luterana. No entanto, a dogmática luterana “começa” com uma teologia da Palavra. Em outras palavras, o luteranismo diz: “Aqui está o que Deus diz. Agora, vamos falar sobre o que Ele é e o que Ele faz baseados no que Ele diz.”

Por que eu acho que esta segunda maneira é melhor?

É como o cristianismo veio até nós. Deus não apareceu a Abraão um dia e lhe lançou um livro. “Aqui, Abraão! Esta é uma dissertação fundamentada sobre meus atributos ocultos. Agora eu tenho algumas promessas para você … “Em vez disso, Deus revelou-se através do que Ele disse e do que Ele fez. Os dois primeiros versículos de Hebreus nos dão o ápice e a chave para entender essa autorevelação de Deus. “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Hb 1:1-2). Também: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus, etc.” (Jo 1:1). Jesus é o ápice e a chave para compreender a autorevelação de Deus.

Cristo é, portanto, a chave interpretativa da Escritura no que Ele diz e no que Ele faz. Ele vive, morre, ressuscita e sobe ao Céu. Ele não vem dar uma nova “lei” como se cumprir as regras levasse à salvação (Ele não é um “Moisés melhor …” É o contrário: Moisés era um “tipo” de Jesus, Rm 5:14). Jesus envia Seus Apóstolos para ensinar/pregar e para Batizar (Mt 28:16). Em outras palavras, pregar o arrependimento e perdoar/reter pecados (Lei e Evangelho, Lc 24:44, Jo 21:19-23). O restante da Escritura é como um comentário sobre a origem e o propósito de Cristo. Ele está no centro da revelação de Deus para nós na Escritura. Ele também não escreveu um tratado. Ele nos visitou no tempo, no espaço e na história. Visto que, por meio de nosso pecado, não pudemos vir a Deus, Deus veio até nós. Quando Seu Filho subiu ao Céu, Ele não nos deixou órfãos, mas em vez disso deixou Seu Espírito. Essas três pessoas sempre estiveram a trabalhar, mas este trabalho não tinha sido claramente revelado. Quando Abraão “creu em Deus e isto foi-lhe imputado por justiça”, foi porque o Espírito trouxe fé para ele através da Palavra, reconciliando-o com o Pai. Isto aconteceu porque Jesus morreu pelos pecados de Abraão na cruz. Abraão foi escolhido antes do tempo, com certeza, mas ele foi *escolhido* quando através da Palavra de Deus Abraão creu.

O calvinismo pode levar a uma visão de Deus, onde Cristo é uma adição desnecessária ao plano de Deus. Agora, este não é o objetivo, mas este é o lugar onde ele toma outro caminho. Creio que esse erro flui naturalmente de uma hermenêutica onde os atributos invisíveis de Deus são a lente pela qual Sua revelação é interpretada (isto é, Sua “soberania”).

Isto é o que queremos dizer quando dizemos que o luteranismo permite o paradoxo (às vezes a Escritura ensina duas idéias opostas que são paradoxais à razão humana), que o Luteranismo é sacramental (Deus vem a nós no espaço, no tempo, na história através de Sua Palavra), e que o Luteranismo é “evangélico”, no sentido original desta palavra (Cristo está no centro).

Mas veja, eu não sou um doutor da igreja…. Este é apenas o meu entendimento. Um dos outros pastores desta equipe pode acrescentar algo mais. Há muito mais a ser dito… e muitas outras maneiras de dizê-lo… pode até haver um erro nesta resposta… mas espero ter ajudado um pouco. Chegar a essas percepções sobre as diferenças entre o Calvinismo e o Luteranismo fez com que tudo fizesse sentido para mim.

Rev. Robert O. Riebau

Battle of the Hermeneutics… Epic!!!