Justiça da Graça e Justiça da Lei

Ao ler isso percebemos que a grande maioria dos denominados cristãos evangélicos hoje, pensam como o renomado teólogo católico, Erasmus, e se contorcem ao ler Lutero.

Sem essa distinção correta da Lei e do Evangelho, não há diferença enter cristãos verdadeiros e qualquer membro de outras religiões que praticam boas obras, e vivem uma vida moral e ética correta. Eles simplesmente não conseguem compreender esta diferença que está explícita em Jesus e no seu modo de viver.

Lutero diz que os teólogos escolásticos focam muito na questão do amor, e exigem uma justiça do homem comparável a justiça de Deus, como se fazendo boas obras e tendo sentimentos nobres e sendo bons, essa justiça “infundida” – näo imputada – em nossos coraçōes fosse capaz de nos justificar.

A dialética arminiana-calvinista também faz isso – assim como todos os escolásticos eles deturpam a justiça original e a transformam em moralismo.

JUSTIÇA DA GRAÇA (DE CRISTO) X JUSTIÇA DA LEI

“Se, aqui, não sabemos distinguir entre essas duas justiças, se, aqui não apreendemos a Cristo pela fé, sentado à direita de Deus, que é a nossa vida e justiça, que, também, intercede por nós, míseros pecadores, junto ao Pai, então estamos sob a lei e não sob a graça, e Cristo não é mais salvador, mas legislador, Então, já nenhuma salvação nos resta, mas seguirão, com certeza, o desespero e a morte eterna”.

“Aprendamos, pois, diligentissimamente esta arte de distinguir essas duas justiças, a fim de que saibamos até que ponto devemos obedecer à lei. Dissemos acima que a lei não deve exceder seus limites no cristão, mas, apenas, deve ter seu domínio sobre a carne, a qual é sujeita a ela e sob ela permanece. Onde isso acontece, a lei mantém-se dentro de seus limites. Se, porém, ela quer ascender à consciência e dominar ali, vê que, então, sejas um bom dialético e que faças a distinção correta e não atribuas à lei mais do que deve ser atribuído e digas a ela: “Lei, tu queres ascender ao reino da consciência e, ali, dominar. Tu queres acusá-la de pecado, tirar a alegria do coração que tenho pela fé em Cristo e me impelir ao desespero, a fim de que pereça. Isso tu fazes contra teu ofício. Permanece dentro dos teus limites e exerce o domínio sobre a carne. Tu não deves atingir minha consciência, pois sou batizado e chamado pelo EVANGELHO à comunhão da justiça e da vida eterna, ao Reino de Cristo, no qual a minha consciência encontra repouso, onde não há lei, mas, apenas, remissão dos pecados, paz, tranquilidade, alegria, salvação e vida eterna. Não me perturbes neste setor. Na minha consciência, não reina a lei, duro tirano e carrasco cruel, mas Cristo, o Filho de Deus, o rei da paz e da justiça, o dulcíssimo Salvador e Mediador que conservará a consciência alegre e pacífica, na sã e pura doutrina do Evangelho e no conhecimento desta justiça passiva”. “Quando tenho esta justiça em mim, desço do céu como a chuva que fecunda a terra, isto é avanço para dentro de um outro reino e faço boas obras onde houver oportunidade”.
(Martinho Lutero, em seu comentário à Epístola aos Gálatas).

LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. Volume 10 – Interpretação do Novo Testamento – Gálatas – Tito. Tradução Paulo F. Flor e Luís H. Dreher. São Leopoldo: Sinodal. Canoas: Ulbra. Porto Alegre: Concórdia, 2008.Pg. 35

 

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