Aminianismo é uma Suavização da Justificação pelas Obras

Para aqueles de vocês que não estão cientes, a Igreja Reformada organizou um Sínodo que se reuniu em Dordrecht (1618-19). Neste Sínodo, a Teologia Reformada tradicional foi questionada. Em resposta aos Remonstrantes, o Sínodo formulou os 5 pontos do calvinismo. Assim, de um lado estavam os calvinistas (Teologia Reformada Clássica), e, do outro, os Arminianos (Remonstrantes).

The Remonstrants
Jacó Armínio e a controvérsia dos Remonstrantes

Agora, alguns de nossos amigos Arminianos mais clássicos (leia-se: não Pelagianos como a maior parte do evangelicalismo americano) vem pleiteando o termo monergismo como algo que se aplica a eles.

Isto é completamente falso.

Usando suas próprias palavras, vou mostrar como isto é obviamente falso. Aqui está um artigo de agosto de 2009 publicado no site Arminianos Evangélicos. O artigo pode ser encontrado aqui: Arminianos e Monergismo (em Inglês)

No artigo, o autor tenta mostrar como os Arminianos são doutrinariamente monergístas que afirmam a graça somente e a fé somente. Suas próprias palavras os traem.

O artigo começa com uma preocupação válida. Calvinistas, de fato, muitas vezes acusam o Arminianismo de acreditar que o homem deve tomar a iniciativa em primeiro lugar e, em seguida, Deus fará sua parte em segundo lugar. Esta é uma preocupação válida. O Arminianismo não ensina desta forma. O Pelagianismo ensina esta ideia. No entanto, Arminianismo não é Pelagianismo.

No entanto, o Arminianismo acaba chegando no mesmo lugar.

Nas palavras do próprio autor, eis o que ele diz.

“Depois de ter sido habilitado pelo Espírito, a resposta do pecador é passiva. O pecador tem que parar de resistir, se arrepender de seus pecados, e colocar sua fé em Cristo. Este presente, como qualquer presente, não é irresistível. O pecador deve aceitar o dom imerecido de Deus. Uma vez feito isso, seguindo o plano do Pai, o Espírito une o pecador à Jesus e, assim, começa o relacionamento do Salvador com o pecador.”

“Esta é a parte do Arminianismo que alguém poderia chamar de sinergética, a aceitação do presente da salvação, e não é nada para se ter medo, pois é bíblico. O processo de salvação é monergístico. Ele possibilita, Ele convence, Ele atrai, e Ele chama. Uma vez que o pecador coloca sua fé em Deus, Ele é o único que justifica, santifica e glorifica o pecador; assim como havia predestinado a fazer (Romanos 8: 29-30), porque a obra que Cristo realizou na cruz foi feita para a nossa expiação. Os Calvinistas parecem não conseguir assimilar esse aspecto sinergético, mas é a visão bíblica da salvação. (Atos 16: 30-31, Efésios 2: 8-9, etc.).”

Aí está. É Deus quem faz tudo…mas você tem que aceitar. Se você tem que fazer algo para aceitar, como é que é Deus quem faz tudo? Em outras palavras, Deus faz tudo para salvá-lo, mas você, como um indivíduo, deve fazer uma escolha positiva para aceitar este presente. Como é que isso pode ser considerado monergismo? Bem, não pode. Monergismo significa “trabalhar sozinho.” Não há monergismo onde se aplica a fórmula de que “Deus faz tudo, mas…”

Não existe um “mas.” Ou um “você deve escolher.” Ou “você tem que aceitar.”

Em outras palavras, o Arminianismo, mesmo o tipo clássico, cai naquela pequena coisa que precisamos fazer para sermos salvos.

Não há maneira de contornar isso, o Arminianismo é uma forma suave de justificação pelas obras. Qualquer coisa que coloca o que temos de fazer para sermos salvos, como algo que vem de nossa vontade, é obras. Não há como contornar este fato.

Simplificando, é 100% Deus e Suas obras que nos salvam. Se acrescentarmos qualquer coisa que devemos fazer a esta equação, nós entramos caindo no campo do sinergismo e, por conseguinte, na justificação pelas obras. O Arminianismo se encaixa nesta categoria. Claro, se dissermos que temos de aceitar Cristo, a fim de sermos salvos, nós estamos recaindo em nossas próprias obras.

O Calvinismo tem suas próprias questões, mas esta não é uma delas.

+ Pax+

Postado por Andrew Taylor em 10/21/15,  01h40
Arminianism is Soft Works Righteousness

3 Comentários:

Larry 10/21/15, 20h42

Todos eles possuem uma justificação pelas obras ou sinergismo, é apenas uma questão de onde eles a colocam e como eles a chamam, e todos eles chamam suas formulações de monergismo. Eis aqui como:

O Pelagianismo clássico a coloca inicialmente na Criação. Uma vez que Deus é o Criador, mesmo após a queda, o homem tem o poder de decidir. Portanto, é a obra e poder de Deus, e, assim sendo, “monergismo”. Todos usam o mesmo argumento básico, eles apenas mudam o onde, e a nomenclatura. Este poder divino de decidir vem da criação, mesmo após a queda. Portanto, uma negação plausível relativa à acusação de sinergismo.

O Semipelagianismo e Arminianismo a colocam um pouco antes da conversão, no momento da oferta para que você “faça uma escolha”, que eles chamam de “espírito”. É “monergismo” porque é o “espírito”.

A ICAR a coloca nos sacramentos que “infunde” a graça em você. Eles chamam isso de infusão da graça para “fazer a pessoa justa”. É “monergismo” porque é graça/poder infundido de Deus.

O Calvinismo a coloca após a conversão em sua linguagem de “santificação” e “garantia da salvação”. Eles a chamam de várias formas, dependendo da conversa, do trabalho invisível do espírito e da “regeneração / novo nascimento.” É “monergismo” porque é o “espírito” e a regeneração.

O que eles não entendem, especialmente em Lutero, é que monergismo significa monergismo por completo. A pessoa salva que pode ter a certeza disso é “in re” (em realidade) um pecador por completo antes e depois da conversão, mas um santo “in se” (em esperança / expectativa). É por isso que eles perdem grosseiramente o argumento de Paulo em Romanos 9. Para Lutero o simul Justus et peccator é in se / in re, respectivamente, onde até mesmo as boas obras / frutos é um artigo invisível de fé para ser aberto como um presente no final dos tempos, como uma criança certa de que vai receber seu presente no Natal (as ovelhas reagem desta maneira, os bodes berram e berram sobre as suas boas obras e frutos como garantia). Assim, o argumento de Paulo, que Lutero aponta claramente em Romanos e viu no capítulo 9 é que os réprobos DEVEM ser nós, isto confessarmos todos os domingos deste lado do céu: “…Eu sou por NATUREZA pecador e impuro….”, de modo que somos por esperança / fé / garantia eleitos. Assim, Paulo e Lutero argumentam em Romanos, especialmente em Romanos 9, ‘simul reprobatus electus‘.

É por isso que Lutero adverte para se ler a linha de argumento de Paulo cuidadosamente, saiba o quão profundo é o seu pecado e esse termo inclui a eterna ira de Deus e todo reino de Satanás, e sofra aos pés da Cruz (reconheça que você não é nada, que não há nenhuma obra sequer depois do batismo) primeiro e depois leia a providência em Romanos 9, o vinho forte para que isto seja sua grande segurança em providência quando a perseguição vier. Este também é o tema de Lutero em De Servo Arbitrio (A Escravidão da Vontade) – Da Vontade Cativa, em algumas editoras, ou “Nascido Escravo“, para os Calvinistas brasileiros – que os Reformados se equivocam totalmente e erroneamente pensam que este livro está do “lado deles”, quando ele afirma que Deus vivifica matando, justifica condenando, leva para o céu, levando primeiro para o inferno, tem misericórdia tendo primeiro a ira, o seu trabalho alheio antes de seu trabalho particular.

Até que se entenda Lutero nesse ponto você não vai perceber que Roma, Genebra, os Remonstrantes, e outros, estão todos no mesmo polo, mas em extremidades diferentes, e a igreja que leva o nome de Lutero está em um polo totalmente diferente, não um pouco diferente, mas uma religião totalmente diferente onde o verdadeiro monergismo está.

Resumindo: Na maioria das vezes, sem exceção, a Palavra e os Sacramentos não são o que eles dizem ser, para / por você (por exemplo, renascimento batismal, corpo e sangue de Cristo em sua boca, nas cordas vocais do pastor para a absorção) pela necessidade em qualquer que seja a teologia – é puro sinergismo não importa o quanto se afirme o contrário. Simplesmente não poderia não ser sinergismo de qualquer outra forma.

Josh Brisby 10/22/15, 13:43
Larry, excelentes considerações! Muito bem colocado!

Larry 11/3/15, 12:12
Obrigado Josh, eu levei anos como um ex-batista, depois ex-presbiteriano/Calvinista reformado para colocar o dedo sobre o sinergismo de Calvino, porque como um Calvinista nós afirmamos a Reforma Protestante como doutrinariamente monergística e isto foi representado nas doutrinas de nossas então confissões. Mas os sacramentos revelaram o sinergismo, ele apenas está mais escondido do que evidente como no Arminianismo. O verdadeiro monergismo, a la Lutero, é muito diferente.

Eu comecei a fazer essa conexão ao ler De Servo Arbitrio de Martnho Lutero, um livro que os Calvinistas adoram pensar que é “para eles” e sua teologia, mas à luz do catecismo de Lutero, não é. Lutero disse que de todos os seus escritos esses dois, De Servo Arbitrio e o Pequeno Catecismo, eram os que ele consideraria mais dignos de serem preservados como a expressão da sua teologia. Bem, isso significa que algo está sendo dito em De Servo Arbitrio que é anti-calvinista porque no Pequeno Catecismo ele afirma sem rodeios “este sacramento é o Evangelho.” Uma vez que alguém “entende” como Lutero percebeu tão facilmente o ensino equivocado de Zwingli (e, por extensão, posteriormente de Calvino), então se percebe o que Lutero diz em todo o resto, o papado, os entusiastas (ou seja, os protestantes que conhecemos hoje), e os turcos (muçulmanos) ensinam basicamente a mesma coisa: entusiasmo e pecado original como caminho da “salvação”; e é por isso que Lutero disse que o camponês (por intermédio dos entusiastas) tornou-se agora o novo monge.

O ataque do papado sobre a justificação pela fé somente é o mesmo que o ataque dos Protestantes (no passado e hoje) sobre os sacramentos, porque eles são a mesma coisa, “este sacramento é o Evangelho”, disse Lutero e “Cristo é o verdadeiro sacramento.” O ataque de qualquer forma por quem quer que seja é a reafirmação da vontade humana oculta ou abertamente, e sinergismo críptico (Calvino / Agostinho) ou sinergismo aberto (Roma / Arminianismo).

Ironicamente JR Tolkien acidentalmente percebeu isso quando ele especulou que o ataque real do diabo não estava na justificação pela fé somente, mas no sacramento. Sim e não, porque um ataque contra um é um ataque contra o outro, então Tolkien está certo, o ataque do diabo sempre foi contra os sacramentos, que SÃO a justificação pela fé somente, na doutrina da ICAR isto se escondeu em suas teorias sacramentais e jargão sobre a infusão, e posteriormente, na exposição dos sacramentos por Zwingli, Calvino, Batistas, entre outros.

Receber o sacramento como a salvação e perdão dos pecados não é mais “a minha obra” do que a de Noé entrando na arca com sua família e sendo salvos. Deus usa sua criação para tornar a salvação em Sua Substância em coisas viventes. O pecado original gosta de ver a salvação de Deus nua, despida, sem a Sua Palavra e Substância em coisas viventes. É por isso que o espiritismo, esoterismo, sinal / símbolos somente (Calvino/Zwingli), gnosticismo e o pecado original, bem como o platonismo e neoplatonismo são fundamentalmente o mesmo pecado original. *


*Nota do tradutor:

O escritor está tentando enfatizar que o mundo físico / material, sendo de Deus, pode (e deve) ser usado como “meio”, através do qual a salvação do homem é comunicada. Afastar a salvação do concreto (sei que estou perdoado, porque Deus não mente e aqui estou eu, participando da Ceia do Senhor!), e traze-la para o abstrato (sei que estou perdoado, porque eu creio em Jesus) é um sintoma do pecado original.

The writer is trying to emphasise that the physical / material world, being of God, can (and should) be used as the ‘medium’ through which man’s salvation is communicated. Moving salvation away from the concrete (I know I’m forgiven because God doesn’t lie and here I am, participating in the lord’s supper!) to the abstract (I know I’m forgiven because I believe in Jesus) is a symptom of original sin.

A dialética arminiana-calvinista me deixa frio – assim como todos os escolásticos eles deturpam a justiça original e a transformam em moralismo.

The Calvinist arminian dialectic leaves me cold – like all scholastics they misrepresent original righteousness and turn it into moralism.

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