A Vontade de Deus e Tomada de Decisões

train-tracksNo Centro da Vontade de Deus

Se nossa vida estiver de acordo com os conselhos gerais de Deus para seu povo apresentados na Palavra escrita, então estaremos dentro da vontade geral e moral de Deus. Se, além disso, recebermos uma palavra específica de Deus relacionada a um assunto particular e a obedecermos, então estaremos totalmente dentro da vontade específica de Deus para nós quanto ao assunto em questão.

Mas, suponhamos que a palavra específica não nos venha em alguma questão de grande importância em nossa vida. (Por exemplo: devo estudar nesta ou naquela faculdade? É melhor morar aqui ou lá? Seria bom trocar de emprego?) Será que isso significa que quanto a essa questão não conseguiremos estar na vontade perfeita de Deus ou que só o conseguiremos por sorte, após adivinharmos, com ansiedade, o que Ele quer que façamos?

É certo que não! É necessário resistirmos com firmeza à tendência de jogar a culpa pela ausência de uma palavra de Deus ao pensamento de que isso significa que nos afastamos do caminho e estamos fora da vontade perfeita de Deus. Se vivemos em devoção sincera ao cumprimento dos propósitos de Deus em nós, podemos ter certeza de que Ele, que veio até nós em Jesus, não vai resmungar, implicar conosco nem nos enganar quanto a nenhuma atitude específica que deseja que adotemos. Por mais que eu enfatize esse ponto, nunca será demais, já que a tendência a pensar da forma contrária é, obviamente, muito forte e está sempre presente.

Pense da seguinte maneira: nenhum pai bem-intencionado ocultará suas intenções de seus filhos. Um princípio geral para interpretar o comportamento de Deus em relação a nós aparece nas palavras de Jesus: “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo a quem o pedir!” (Lc 11.13)

Quanto mais do que nós nosso Pai celestial dará instruções claras aos que pedem com sinceridade, sempre que Ele tiver orientações a dar? Quando Ele nada disser, estejamos certos de que isso é o melhor para nós. Então, qualquer coisa que esteja dentro da vontade moral e que for feita em fé é sua vontade perfeita. Não é menos perfeita por não haver sido ordenada por Ele de forma específica. Aliás, talvez seja mais perfeita exatamento por Ele não ter visto necessidade de dar ordens específicas. Ele conta com nossa escolha, confia em nosso bom senso e avança concosco pelo caminho que tomamos.

Diferentes cursos de ação podem, então, estar dentro da vontade perfeita de Deus em uma determinada circunstância. Deveríamos presumir que isso é verdade em todas as situações em que caminhamos de acordo com a sua vontade geral, ouvimos sua voz e, ao buscar, não encontramos nenhuma orientação específica. Em casos assim, é comum haver várias opções que agradariam a Deus, embora Ele não nos direcione para nenhuma delas em especial. Todas estão perfeitamente dentro de sua vontade, porque não há nenhuma melhor do que as outras para Ele, e todas são boas. Ele não mandaria você escolher outra que não a que você está seguindo. (Claro que estar dentro da vontade perfeita de Deus não significa que você não erra mais! É possível estar na vontade de Deus sem tornar-se um ser humano perfeito).

Em seu livro Decision Making and the Will of God (Tomada de decisões e a vontade de Deus), Garry Friesen critica com maestria a visão de que Deus tem um plano especial para ser seguido em cada situação, que a decisão correta depende de descobrir qual é esse plano e que, se não conseguirmos, estaremos apenas na vontade permissiva de Deus, na melhor das hipóteses, e seremos cidadãos de segunda classe no reino de Deus. Contra essa visão danosa, Friesen afirma:

O ponto principal é: Deus não possui um planejamento de vida detalhado, criado sob medida para cada crente e que precisa ser descoberto para tornar-se decisões acertadas. O conceito de uma “vontade individual de Deus” [nesse sentido] não pode ser abalizado pelo raciocínio, experiência, exemplos nem ensinamentos bíblicos.

Assim, a vontade perfeita de Deus pode oferecer, para uma pessoa em particular, várias alternativas diferentes. Por exemplo, para a maioria, várias opções ao escolher-se cônjuge (ou ausência dele), vocação, instituição de ensino ou local de moradia podem estar, de igual forma, na vontade perfeita de Deus, não sendo nenhuma delas, por ela mesma, melhor ou preferida por Deus em relação ao resultado final que Ele deseja alcançar.

Quem busca com sinceridade deveria assumir que isso acontece e avançar com fé em Deus se não receber nenhuma palavra específica sobre o assunto que o preocupa após um período de tempo razoável. Tudo isso é coerente com a existência, algumas vezes, de apenas uma opção que se insira perfeitamente na vontade de Deus para nós. Precisamos pensar em nossas escolhas uma de cada vez, exatamente como vivemos um dia após o outro, confiando em Deus.

Assim como o caráter só é revelado quando nos permitem, ou exigem, que façamos o que queremos, também a intensidade e a maturidade de nossa fé só se manifestam quando não recebemos nenhuma orientação específica. Uma fé robusta e madura não faz apenas o que mandam. Pelo contrário — nas palavras de Willian Carey, quando foi para a Índia como missionário pioneiro –, a fé inabalável “tenta grandes realizações para Deus e espera que Ele faça grandes coisas”. Essa fé acompanha ativamente o trabalho a ser feito, a vida a ser vivida, confiante na companhia bondosa do Pai, Filho e Espírito Santo. A redenção não anula a iniciativa humana; antes, a intensifica imergindo-a no fluir da vida de Deus. Quem possui uma visão amadurecida de Deus e experiência em seus caminhos não precisa viver em ansiedade obsessiva para fazer o que é certo. Na maior parte do tempo, sabe o que é certo. Porém, a confiança não está em uma palavra do Senhor, mas no Senhor, que permanece conosco.

– Dallas Willard, Ouvindo Deus, p.256-259

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