Boas Novas para Cristãos Ansiosos: 10 Coisas Práticas Que Nāo Necessitamos Fazer

Good News for Anxious Christians: 10 Practical Things You Don't Have to DoBoas Novas para Cristãos Ansiosos: 10 Coisas Práticas que Não Necessitamos Fazer por Phillip Cary

Snopse

Tal como uma sucessão de dietas mal sucedidas, as técnicas bastante apregoadas que presumivelmente servem para nos aproximar mais de Deus “em nossos corações” podem, ao contrário, nos deixar ansiosos, frustrados e sobrecarregados. Como podemos nos aproximar de Deus e conhecê-lo com uma alegria perene, ao invés de experimentar a vida cristã como uma série de decepções geradoras de culpa?

Tomando como base o seu trabalho com estudantes universitários, Phillip Cary mostra aos cristãos que o discipulado é um processo gradual e de longo prazo, que vem através da Bíblia vivenciada numa comunidade cristã, e não de uma lista de tarefas criadas para nos ajudar a viver a vida cristã de “forma correta”. Este livro, lucidamente escrito, fala sobre 10 coisas que os cristãos não têm que fazer para se aproximarem mais de Deus, tais como: ouvir a voz de Deus em seus corações, saber a vontade de Deus para suas vidas, e crer que sua intuição é o Espírito Santo. Apresentando uma abordagem do evangelho consagrada pelo tempo, que é bela e libertadora, Cary habilmente revela as riquezas da espiritualidade cristã tradicional para levar as verdadeiras boas novas para cristãos de todas as idades.

Sumário

Prefácio
Introdução: Por Que Tentar Ser Cristão nos Deixa Ansiosos.

  1. Por Que Não Temos Que Ouvir a Voz de Deus em Nossos Corações.
    Ou, Como Deus Realmente Fala Hoje.
  2. Por Que Não Temos Que Crer Que Nossa Intuição É o Espírito Santo.
    Ou, Como o Espírito Molda Nossos Corações.
  3. Por Que Não Temos Que “Deixar Que Deus Tome o Controle”.
    Ou, O Que Significa a Obediência Para Adultos Responsáveis.
  4. Por Que Não Temos Que “Descobrir a Vontade de Deus Para Nossas Vidas”.
    Ou, Como a Fé Busca a Sabedoria.
  5. Por Que Não Temos Que Ter Certeza De Que Possuímos as Motivações Corretas.
    Ou, Como o Amor Procura Fazer o Bem.
  6. Por Que Não Temos Que Nos Preocupar em Separar a Razão da Emoção.
    Ou, Como a Razão Recebe Bem a Emoção.
  7. Por Que Não Temos Que Permanecer Sendo Transformados o Tempo Todo.
    Ou, Como as Virtudes Operam Uma Mudança Duradoura em Nós.
  8. Por Que Não Temos Que Sempre Experimentar a Alegria.
    Ou, Como Deus Justifica os Aflitos.
  9. Por Que o “Aplicar Isto À Sua Vida” É Tedioso.
    Ou, Como o Evangelho É Lindo.
  10. Por Que Basear a Fé nas Experiências Conduz a Um Futuro Pós-Cristão.
    Ou, Como a Fé Cristã Necessita do Ensino Cristão.

Conclusão: Como o Evangelho de Cristo É Bom Para Nós.


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Amostra contendo Prefácio, Introdução e Capítulo 1.

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Escolhendo Bem

Escolhendo Bem

Fazer escolhas de vida nunca é fácil. Você acaba a faculdade ou universidade, e tem que fazer algum tipo de escolha sobre o que acontece a seguir. Ou você está no meio da sua carreira, de frente para uma encruzilhada, e você pensa, você sente, que Deus pode estar lhe chamando para algo novo. Talvez você tenha sido despedido de um cargo que ocupava há anos e está sendo confrontado por uma série de novas perguntas sobre o que fazer a seguir. E as contas do aluguel continuam a chegar, então há um grau de urgência na sua situação.

Claro, essa escolha é o privilégio de poucos, e sempre devemos enxergá-la como tal. Mas a velocidade das mudanças tecnológicas e as rápidas mudanças no ambiente de trabalho às vezes tornam essa escolha assustadora e angustiante. É quase como se não pudéssemos lidar com o número de alternativas: ficar onde estamos, tirar umas férias e voltar ao trabalho, trabalhar em casa ou remotamente, fazer cursos de aperfeiçoamento, mudar de profissão ou a forma como trabalhamos, juntar-se a outros para empreender algo novo, mudar para algo mais “espiritual” ou “significativo”, dar um tempo no trabalho voluntário de tempo integral. As escolhas são vertiginosas.

Mas, na minha experiência, elas ficam significativamente mais fáceis com o conhecimento de que Deus nos chama e está lá para nos guiar. Deus em primeiro lugar. Esse é o lugar para se começar.

A Bíblia deixa claro que Deus nos dá uma escolha — ele trabalha conosco, não apenas através de nós. Na maior parte das vezes, temos a liberdade de buscar os caminhos de Deus e depois fazer escolhas. Nós não operamos independentemente dele, mas tampouco somos marionetes manipulados por uma corda. Nossos chamados pessoais não são ordens, mas conclamações e sugestões. Nós entramos em parceria com Deus, aproveitando as oportunidades que Deus nos apresenta e as paixões que ele nos deu.

Onde quer que você esteja agora (presumindo que você esteja caminhando com o Senhor e que não esteja fazendo nada de imoral ou ilegal) é onde você está destinado a estar. Seu chamado não está em algum lugar indescritível, além do mundo, inacessível. Seu chamado é aqui e agora. Você é chamado para continuar e viver à luz dessa chamada.


Extraído do livro: “Know Your Why: Finding And Fulfilling Your Calling [Conheça o seu porquê: Encontrando e cumprindo o seu chamado] por Ken Costa

Chamado para a Paixão

Chamado para a Paixão

Muitas vezes, quando as pessoas falam sobre chamado, elas tentam retirar  a autonomia humana da equação. Elas imaginam que nossos desejos, nossas preocupações, nossas paixões e talentos são irrelevantes. Mas o fato de que o nosso Pai amoroso nos chamou não deve negar a liberdade que temos de fazer escolhas.

Encontrar nossas paixões — respondendo a pergunta “Que buscais?” — é crucial para encontrar nossos chamados. Raramente essa pergunta é facilmente respondida. Para a maioria, determinar o que realmente queremos é um processo psicológico profundo: uma jornada de descoberta que leva tempo para se fazer e que pode nos levar em diferentes direções em diferentes pontos de nossas vidas.

Assim foi para os discípulos. Eles não sabiam o que queriam — só que estavam buscando algo. Quando Jesus perguntou: “Que buscais?” Eles não sabiam como responder. Em vez disso, eles esquivaram-se com uma pergunta própria: “Onde moras?” (João 1:38)

A inferência da pergunta dos discípulos é clara: não sabemos a resposta para sua pergunta. Não temos certeza do que estamos buscando. Não sabemos para onde estamos indo. Mas sabemos que queremos passar algum tempo com você, ficar com você, para aprender mais sobre você. Porque se você realmente é quem João diz que é, então talvez você possa nos mostrar o que estamos realmente buscando.

A simples resposta de Jesus aos discípulos também reconheceu suas perguntas não ditas. As palavras “Vinde e vede onde estou morando”, significava: “Venham descobrir os planos que tenho para vocês; Os chamados e as paixões que darei a vocês “. E isso é exatamente o que os discípulos fizeram. Eles entraram na casa buscando, mas foram buscados.

Pois Jesus os buscou e chamou. Eles desistiram de suas buscas pela verdade e assumiram novos chamados e novas identidades, não porque tivessem todas as respostas, mas porque encontraram aquele que tinha. Eles não encontraram um novo projeto religioso, nem um novo programa, mas uma pessoa. Eles tornaram-se conhecidos por ele, e esse reconhecimento mudou suas vidas.


Extraído do livro: “Know Your Why: Finding And Fulfilling Your Calling” [Conheça o seu porquê: Encontrando e cumprindo o seu chamado] por Ken Costa

Called to Wait

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Photo by Daniel Monteiro on Unsplash

In a rapidly changing world, we all face new seasons in our lives, some we choose and others that are forced upon us: one stage of life ends for another to begin; new career challenges lead to different jobs; new opportunities change our ways of living.

In these times, we have a tendency to believe that nothing good will come from this experience of waiting. But this is the most valuable time of our lives in Christ: when he draws near and works with us to align our wills to his purpose. This season enables us to respond to his call for the next phase of our lives. There is excitement in this time if we have the right attitude and if we can embrace rather than resist the challenges of the season.

Draw Close to God

God uses times of waiting to draw us closer to him, to ourselves, and to our loved ones. So many people have told me that in times of uncertainty they have drawn closer to not only God but also their spouses and others near them. In the battle for our attention, God often has to let us go through a period of adversity so that we might attune our ears to his voice and discern his direction.

In a frenzied world we often slot God into overactive lives, trying to force him to fit around our routines. This never works. A waiting period is a time to recognise that we have drifted into a world of expectation and instant answers. This is not the real world. Often God’s way is to waken within us a calling, but then to allow us to recognise that his greatest desire is to draw close to us.

In the book of Isaiah, King Hezekiah fell ill and received word from the prophet Amos that he was about to die. The king cried out to God for salvation, and after a short period of waiting, God sent Isaiah to inform him that he would now live. Unsurprisingly, the king was fairly relieved! But even before he was cured, King Hezekiah started singing a song of praise to the Lord.

In the darkness of his uncertainty, Hezekiah found himself drawn close to God—able to appreciate afresh the grace and love of his Savior.


Excerpt from the book “Know Your Why: Finding And Fulfilling Your Calling” by Ken Costa

Chamados para Esperar

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Photo by Daniel Monteiro on Unsplash

Em um mundo de rápidas mudanças, todos enfrentamos novas estações em nossas vidas, algumas que escolhemos e outras que são impostas sobre nós: um estágio da vida acaba para que outro comece; Novos desafios de carreira levam a diferentes empregos; Novas oportunidades mudam nossos modos de vida.

Nestes tempos, temos uma tendência a acreditar que nada de bom virá dessa experiência de espera. Mas este é o momento mais valioso de nossas vidas em Cristo: quando ele se aproxima e trabalha conosco para alinhar nossas vontades ao seu propósito. Esta estação nos permite responder ao seu chamado para a próxima fase de nossas vidas. Há uma excitação neste momento se tivermos a atitude certa e se pudermos abraçar em vez de resistir aos desafios da estação.

Chegue mais perto de Deus

Deus usa momentos de espera para nos aproximar dele, de nós mesmos e de nossos entes queridos. Muitas pessoas me disseram que, em tempos de incerteza, eles se aproximaram de Deus, mas também de seus cônjuges e de outros próximos a eles. Na batalha pela nossa atenção, Deus muitas vezes tem que nos deixar passar por um período de adversidade para que possamos sintonizar nossos ouvidos com sua voz e discernir sua direção.

Em um mundo frenético, muitas vezes dividimos Deus em vidas super ativas, tentando forçá-lo a se encaixar em nossas rotinas. Isso nunca funciona. Um período de espera é um momento para reconhecer que temos ficado à deriva em um mundo de expectativas e respostas instantâneas. Este não é o mundo real. Muitas vezes, o caminho de Deus é despertar dentro de nós um chamado, mas depois permitir que reconheçamos que seu maior desejo é aproximar-se de nós.

No livro de Isaías, o rei Ezequias ficou doente e recebeu a palavra do profeta Amós de que estava prestes a morrer. O rei clamou a Deus por salvação, e depois de um curto período de espera, Deus enviou Isaías para informá-lo de que ele agora viveria. Como seria de prever, o rei ficou bastante aliviado! Mas mesmo antes de ser curado, o rei Ezequias começou a cantar uma canção de louvor ao Senhor.

Na escuridão de sua incerteza, Ezequias encontrou-se atraído para perto de Deus, capaz de apreciar novamente a graça e o amor de seu Salvador.


Extraído do livro: “Know Your Why: Finding And Fulfilling Your Calling” [Conheça o seu porquê: Encontrando e cumprindo o seu chamado] por Ken Costa

Tomando a Perspectiva de Deus

Tomando a Perspectiva de Deus

Um dos maiores problemas enfrentados pelo cristianismo hoje é uma recusa em acreditar que Deus possa se importar com nossos futuros individuais, que Deus possa se preocupar com nossas vidas no dia-a-dia ou tenha planos para nós fora de uma chamada ministerial específica. Muitas vezes, ficamos satisfeitos com a idéia de que Ele possa chamar outras pessoas, mas pode existir uma insegurança profunda sobre se Deus pode nos usar. Quando se trata do nosso chamado e do nosso futuro, tememos que Deus possa ter se esquecido de nós.

Podemos facilmente imaginar que políticos, professores, agentes sociais e médicos achem mais fácil ter a certeza de que seu trabalho é uma materialização do seu chamado cristão. Mas e quanto aqueles que não vão curar o câncer, prestar ajuda ou evangelizar de um púlpito? Como eles podem vislumbrar um chamado que é exclusivo deles?

“O mundo é utilitário em seus julgamentos e padrões. Quanto mais óbvio é o bem que fazemos e quanto mais pessoas impactamos positivamente, mais o mundo julgará nossos esforços como merecedores. Mas essa não é a perspectiva de Deus.”

Parte da resposta está em tentar ver o nosso trabalho através dos olhos de Deus, e não através dos olhos do mundo. O mundo é utilitário em seus julgamentos e padrões. Quanto mais óbvio é o bem que fazemos e quanto mais pessoas impactamos positivamente, mais o mundo julgará nossos esforços como merecedores. Mas essa não é a perspectiva de Deus.

No final, mesmo a maior das nossas obras será esquecida pelo mundo. Todos os nossos esforços serão pó e cinzas diante da glória eterna de Deus. Há uma bela simplicidade nesse versículo de Isaías 40: “Seca-se a erva, e caem as flores, mas a palavra de nosso Deus subsiste eternamente” (versículo 8). Quando se trata do mérito de nossos chamados, precisamos tomar uma perspectiva divina e lembrar que os padrões de Deus não são como os do mundo.

Algumas pessoas são chamadas para fazer grandes obras — governar países, organizar esforços de ajuda humanitária, evangelizar milhões. E algumas pessoas são chamadas para realizar pequenas ações de serviço — servir café com um sorriso, varrer as ruas, assar um bolo para os vizinhos. Mas Deus não olha para essas coisas e as vê como inconsequentes. Para ele, elas são belos derramamentos do seu espírito.

Um chamado para servir a Deus no local de trabalho pode ser para recuperar uma empresa falida. Ou talvez seja para ser um amigo leal e fiel para um colega de trabalho que está passando por um momento difícil. Embora o mundo julgue um como mais significativo do que o outro, mas não é a maneira como Deus vê.


Extraído do livro: “Know Your Why: Finding And Fulfilling Your Calling [conheça o seu porquê: Encontrando e cumprindo o seu chamado] por Ken Costa

Como saber quando você é mais do que apenas amigo de alguém?

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Photo by Elizabeth Tsung on Unsplash

Como saber quando você é mais do que apenas amigo de alguém?
Por Dr. Henry Cloud

Há uma discurso recorrente sobre as diferenças de comunicação entre homens e mulheres, e às vezes, com bons resultados. Mas na minha experiência, os solteiros não sofrem tanto com as diferenças em sua comunicação quanto com a sua falta de clareza na comunicação. Resumindo, eles têm mal-entendidos que os deixam muito magoados, decepcionados e desanimados com os relacionamentos em geral. Você já experimentou algum desses sentimentos?

•  Sentiu-se como se vocês fossem “mais do que amigos”, e então, abruptamente, ouviu que vocês não eram?
• Sentiu-se como se vocês fossem “apenas amigos” e depois descobriu que alguém se sentiu muito irritado e traído porque vocês não eram “mais do que amigos?”
• Quis tanto que um relacionamento desse certo que você cedeu a coisas que você realmente não queria fazer e depois se arrependeu mais tarde?
• Ou, quis tanto que um relacionamento desse certo que você deu mais e mais de si mesmo para no final descobrir que não dava certo?
• Namorou alguém, e começou a ficar mais sério, e depois ficou surpreso com a falta de espiritualidade dele ou dela quando parecia ser o contrário?

Estas são experiências comuns para alguém que é solteiro e está namorando ativamente, mas precisa ser assim? O que causa esses problemas?

Bryn estava sentada no meu escritório com o coração partido. Ela vinha me contando por alguns meses sobre o seu novo interesse amoroso, o Mark. Da forma como ela havia descrito o relacionamento, eles começaram como amigos, e ela achou que era uma boa idéia. Ela disse que conhecia muitas pessoas que começaram a se relacionar de maneira romântica e então quando a paixão inicial acabou, não restou muita coisa. Ela queria começar com uma base sólida. Ela e Mark faziam coisas juntos, às vezes em grupo, e às vezes sozinhos. Ela estava adorando a amizade e, no início, estava claro que eles eram “apenas amigos”, em relação a tudo o que Mark fazia ou falava.

O que tinha começado a me incomodar como seu terapeuta era que ela estava falando sobre um relacionamento que era de “apenas amigos”, e defendendo isso enquanto, ao mesmo tempo, mantinha uma fantasia secreta (pelo menos secreta para ele) que as coisas avançariam para algo mais sério. Não me opus que ela não colocasse todas as suas cartas na mesa de uma vez, pois geralmente é assim que o namoro funciona. As pessoas se tornam amigas, passam tempo juntas e depois abrem a porta para mais coisas. O que me incomodou foi o crescente aprofundamento dos sentimentos que ela estava experimentando e que estes continuavam escondidos.

“Amigos geralmente não estão à disposição e serviço do outro. Eles têm reciprocidade no seu relacionamento. Se você está se tornando “muito conveniente” para alguém, seja com favores ou fisicamente, isso não é um bom sinal de que você esteja numa amizade saudável.”

Então ficou ainda mais complicado. De vez em quando, ao passar a noite juntos, eles assistiam televisão no sofá, e pouco a pouco passaram dos abraços, carícias, até sessões completas de “agarração.” Mas, o problema era, não havia nenhuma menção sobre uma mudança no status da relação deles. Eles ainda eram “apenas amigos”, mas se comportavam às vezes de forma muito diferente de como os amigos se comportam.

A cada encontro físico, ou a cada vez que Bryn fazia algum tipo de favor para Mark, suas esperanças e sentimentos aumentavam. Mais uma vez, na superfície, não parecia ser um “problema”. Mas bem no fundo, era um problema muito real. A questão real era que essa amizade estava tendo expectativas muito diferentes de ambas as partes, e nenhum deles falava sobre o que estava acontecendo. Mark estava gostando de ter alguém para cuidar dele e fazer as suas vontades. Ela vinha e cozinhava, saia com ele em cima da hora quando ele se sentia solitário, entre muitos outros tipos de “cuidados”. E ele não parecia estar prestes a se queixar sobre o crescente carinho físico que ele recebia. Mas, o Mark estava tendo todos esses benefícios do relacionamento sem a responsabilidade do compromisso ou a definição de ser mais do que amigos. Não havia expectativas claras sobre o que ele deveria oferecer. Ela estava dando muito de si, e tinha grandes esperanças, mas ele estava simplesmente aproveitando o passeio.

Não me surpreendeu quando um dia ela entrou e me disse que Mark tinha uma nova namorada. Ele chegou e disse a ela, como você faria com qualquer outro amigo. E para ele, isso era normal, porque em sua mente, era tudo o que ele e Bryn eram, “apenas amigos”. Ela ficou furiosa e queria que ele explicasse o tempo que passaram juntos e a troca de afeto físico. Ele não disse nada, exceto: “Eu pensei que éramos apenas amigos e estávamos nos divertindo”.

Certamente ele não era uma vítima inocente das expectativas dela. O Mark agiu de uma maneira que os amigos normalmente não agem, a menos que tenham algum entendimento do que estavam fazendo em qualquer momento. Normalmente, amigos que passaram tanto tempo juntos teriam falado sobre isso, rido a respeito, ou algo assim. Mas, pelo menos, ficaria entendido. Está sobre a luz e é claro. Nesse caso, como em tantos outros, as coisas ficam escuras e sombrias.

Então, é isso o que você deve fazer. Seja honesto com você primeiro. Saiba o que você quer. Pare de se enganar. Se você está sendo “estratégico”, pelo menos se aproprie disso. Talvez você queira começar como amigos e ver o que acontece. Mas se você não revelar isso, lembre-se de que a outra pessoa pode não ter idéia de que você está sentindo ou esperando algo mais.

Certifique-se de que o seu comportamento corresponda ao seu nível de compromisso ou definição do relacionamento. Amigos geralmente não estão à disposição e serviço do outro. Eles têm reciprocidade no seu relacionamento. Se você está se tornando “muito conveniente” para alguém, seja com favores ou fisicamente, isso não é um bom sinal de que você esteja numa amizade saudável.

Em algum momento, coloque tudo sobre a mesa. Sejam mutuamente responsáveis pelos seus comportamentos. “Se você diz que somos apenas amigos, o que foi aquele beijo?” Ou “Se dissermos que somos apenas amigos, então por que você fica com ciúmes quando eu namoro com alguém? “Quando a realidade for diferente de qualquer maneira da forma como ela é entendida, fale sobre isso. Pratique o perdão e a compreensão enquanto você está tentando entender tudo. As amizades enfrentam muitas coisas ao longo dos anos. Não sejam muito duros um com o outro.

A amizade é uma coisa boa. Mas se você está esperando por mais, seja claro sobre isso. Caso contrário, você pode perder um bom amigo.


Texto original: How do You Know When You’re More than just Friends with Someone? By Dr. Henry Cloud

Três Perigos da Pregação Na Era Digital

 

Nosso relacionamento com a cultura é de reciprocidade e de formação mútua. Os artefatos, tecnologias e as redes de significado que construimos, abrem novas oportunidades, normalizam novas expectativas e geram novas pressões. Em grande parte não estamos cientes destas pressões, mas elas são poderosamente formativas. Nós produzimos a cultura, e a cultura, por sua vez, nos transforma.

Usando uma ilustração limitada, considere o efeito do e-mail em nosso trabalho. Podemos nos comunicar instantaneamente de qualquer lugar, de forma a promover a eficiência e a coordenação (oportunidades). Esta habilidade eleva o padrão do que sentimos que devemos fazer, reforça nosso senso individual de controle sobre nossas vidas e introduz novos códigos de etiqueta (expectativas). Mas também existem pressões: a obrigação de responder imediatamente, sentir culpa por estar incomunicável, sentimentos de impotência e isolamento quando estamos desconectados, a sensação persistente de que nunca estamos realmente longe do nosso trabalho. Afinal, não é tão simples assim.

Uma parte integral do ministério envolve ajudar os cristãos a reconhecerem como nossa cultura está nos formando, para que possamos buscar intencionalmente uma formação nos moldes do evangelho em nosso momento cultural. Os pastores devem se perguntar: “Como posso ajudar a igreja a discernir as forças da nossa cultura?” Também devemos perguntar: “Como as forças da nossa cultura moldam a maneira como pastoreio?”

Pregação na Era Digital

A revolução digital trouxe muitos tipos de benefícios. A possibilidade de se gravar sermões, por exemplo, significa que a Palavra de Deus e as nossas palavras podem chegar mais além do que era possível anteriormente. Na preparação de sermões, podemos ouvir como outros pregadores de qualquer parte do mundo abordaram uma passagem e a aplicaram ao seu contexto, enriquecendo nossa apreciação e apropriação das Escrituras.

Mas a digitalização da pregação também teve conseqüências não intencionais, às vezes não reconhecidas. A recepção da Palavra pregada foi separada da reunião física da igreja. Freqüentemente há cristãos “pastoreados” por pastores que nunca conheceram. Essas dinâmicas ajudaram a gerar a pressuposição de que a igreja existe simplesmente como uma produtora de conteúdo e que pregadores sāo apenas fornecedores de mercadorias.

O advento do MP3 criou oportunidades e moldou as expectativas na pregação. E em meio a isto, surgiram novas pressões.

Três Pontos de Pressão

Pastores são chamados a proclamar a eterna Palavra de Deus. Mas numa era digital, nossas palavras nos parecem eternas. São gravadas; são transmissíveis; aparentemente duram para sempre. E este padrão gera uma série de pressões sobre a tarefa do pregador, a maioria delas inconscientes. Aqui estão três.

1. A Pressão da Perfeição

Durante a maior parte da história, as palavras de um pregador soavam do púlpito para os fiéis presentes, ecoavam das paredes e desapareciam no silêncio. Pregar e ouvir um sermão era uma experiência transitória. Hoje, os sermões persistem no tempo, pois permanecem em forma digital. Essa permanência aumenta a ansiedade que muitos pregadores já sentem: se eu errar nesse sermão, ele permanecerá errado para sempre.

Um bom sermão pode permanecer como um monumento à sua sabedoria pastoral. Um sermão ruim como um memorial da sua insuficiência, elevando a tristeza das manhãs de segunda-feira a um novo patamar. Pregadores sempre foram tentados pelo orgulho e pelo desespero, mas quando suas palavras são permanentes, a idolatrizaçāo de sermões pode se manifestar de novas maneiras.

2. A Pressão da Totalidade

A concisão é uma habilidade adquirida. Todos os pregadores e especialmente os novatos, lutam para eliminar as adoradas análises exegéticas e aplicacionais que fascinam e edificam, mas que inflam em demasia um sermão. O desejo motivacional de ser fiel ao texto é uma coisa boa, mas o resultado frequentelmente não é muito útil.

Mas quando um sermão existe para sempre, a pressão para falarmos tudo o que poderia ser dito se intensifica. Começamos a pensar, por exemplo, que, em vez de pregarmos um sermão sobre o Salmo 22, estamos pregando o sermão sobre o Salmo 22. É minha única oportunidade para pregar corretamente sobre o texto. Este será o sermão que vou recomendar a pessoas que me perguntem sobre este texto. Portanto, necessito dizer tudo.

Entāo, cada sermão torna-se potencialmente uma mensagem autônoma, capaz de ser removida da progressão do ensino que o precedeu e o sucedeu. E esta dinâmica aumenta a pressão para tratarmos o texto exaustivamente, de maneiras que podem prejudicar a efetividade de um sermão.

3. A Pressão da Universalidade

Sermões gravados podem atravessar o mundo e serem recuperados anos após sua primeira pregação. Esta é uma bênção extraordinária. Mas isto pode levar a uma mudança do nosso público-alvo. Ao invés de pregarmos para a igreja local, pregamos com os ouvintes digitais em mente. Pensamos portanto que o sermão deve ser geograficamente e culturalmente sem fronteiras. Necessita ser atemporal. Necessita ser aplicável a uma pessoa que poderá baixá-lo daqui a cinco anos, que está a mais de 1.600 Km de distância.

Mas esta percepção vai contra um dos principais propósitos da pregação, visto que descontextualiza a aplicação da verdade de Deus da época e do lugar em que estamos vivendo. É bom almejar sermos abrangentes, mas não à custa das preocupações únicas de nosso rebanho. Esforçarmo-nos pela universalidade acaba por privar as ovelhas sob nosso cuidado do conforto específico, da advertência e da chamada ao discipulado que elas tanto necessitam ouvir.

Combatendo a Pressão

A maioria de nós não se curva conscientemente a estas pressões. Elas simplesmente fazem parte da vida em um mundo onde temos a ilusão de eternidade e permanência para nossas palavras. Mas devemos conscientemente combater estas pressões se quisermos permanecer fiéis ao nosso Senhor, ao nosso próximo e à nossa tarefa.

Isto significa que nós, como pregadores, temos que entender o potencial formativo da tecnologia que usamos, as propensões dos nossos próprios corações e nosso chamado como pastores.

Devemos combater a pressão da perfeição com a realizaçāo vexatória de que nosso status nos é dado por Deus em Cristo, e não adquirido através da grandiosidade homilética. Devemos lutar contra a pressão da totalidade, assumindo uma visão de longo prazo, vendo os sermões não como banquetes completos, mas como uma refeição (potencialmente fadada ao esquecimento) que, através da obra do Espírito Santo, poderá nutrir os crentes no longo caminho até a maturidade. Devemos combater a pressão da universalidade privilegiando a igreja local e pastoreando o rebanho entre nós (1 Pe 5.2), através de uma pregação sabiamente contextualizada.

Devemos continuar a gravar nossos sermões? Claro, mas façamos isto como mordomos da Palavra eterna e não presumindo ser sua origem.


Trevor Laurence é pastor na Trinity Church de Winston Salem em Winston Salem, Carolina do Norte, EUA. Trevor e sua esposa, Sylvia, têm uma filha. Ele é formado pela Universidade da Flórida e pelo Gordon-Conwell Theological Seminary em Charlotte, Carolina do Norte. Pode-se segui-lo no Twitter.